Quatro vão a júri por morte de jornalista

Quatro vão a júri por morte de jornalista

Três PMs e um comerciante são acusados de envolvimento no assassinato de Luiz Barbon

Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

ARAÇATUBA

Começa hoje o julgamento de quatro dos cinco acusados pelo assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, morto em 2007, aos 37 anos, em Porto Ferreira, a 228 km da capital. Ele trabalhava no Jornal do Porto e foi autor de reportagens que mostraram, em 2003, o envolvimento de vereadores e de comerciantes da cidade no aliciamento de menores de idade. O júri vai ocorrer no 5º Tribunal do Júri, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

O jornalista foi assassinado no dia 5 de maio de 2007 com dois tiros de espingarda calibre 12. Ele estava em um bar quando dois homens encapuzados chegaram em uma moto. O que estava na garupa se aproximou de Barbon e disparou dois tiros à queima-roupa.

Dos cinco acusados, quatro são PMs e um é comerciante. Todos estão presos. Na sessão do Tribunal do Júri, que começa hoje, às 9 horas, serão julgados o sargento Edson Luís Ronceiro, o capitão Adélcio Carlos Avelino, o soldado Paulo César Ronceiro e o comerciante Carlos Alberto da Costa. O quinto acusado, o soldado Valnei Bertoni, conseguiu adiar a data por meio de liminar. Eles são acusados de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. Eles negam envolvimento no assassinato do jornalista.

As sete pessoas que formarão o júri serão escolhidas entre 25 convocados. A expectativa do Ministério Público é que o julgamento dure de dois a três dias. Os policiais acusados, que estão presos no Presídio Romão Gomes, devem ser levados pela manhã para o tribunal. Já o comerciante, detido no presídio de Itirapina, seria transferido ontem para a capital.

Segurança. Segundo o promotor André Luiz Bogado da Cunha, a transferência da sessão de Porto Ferreira para a capital se deu por motivos de segurança. "Lá não existia segurança e poderia haver alguma parcialidade dos jurados por conta de ser uma cidade pequena e a pressão de PMs ser forte", afirma Cunha.

A principal discussão do tribunal será, na opinião de Cunha, a apresentação de provas sobre a arma do crime. Perícias feitas em cartuchos de tiros disparados no jornalista confirmam que eles saíram da arma que estava na oficina do comerciante Carlos Alberto da Costa, que é primo do capitão Adélcio. "É uma prova contundente, que poderá ser fundamental para incriminar os réus", diz Cunha.

Outro destaque da sessão, o depoimento de testemunhas que identificaram os homens das motos como Bertoni e Ronceiro. "Essas testemunhas vão depor e confirmar que, embora os atiradores estivessem com capuzes, puderam ser reconhecidos", afirma o promotor.

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