QUATRO PERGUNTAS PARA...Ismael Fernández Mejía, presidente da Sociedade Internacional de Urbanistas

1. Como o senhor define uma cidade inteligente? São aquelas que permitem que habitantes a desfrutem sem carro. Hoje, pela dimensão dos grandes centros, é preciso desenvolver núcleos regionais para que uma pessoa que vive na zona norte não precise obrigatoriamente ir à zona sul em busca de escolas, restaurantes, órgãos públicos e emprego. É preciso pensar em microunidades. Essa é uma saída para metrópoles como São Paulo.  

O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h03

2. Em São Paulo, há construção de bairros como se fossem microcidades. É uma boa estratégia? Difícil dizer se é uma boa saída, mas é um processo de reciclagem da cidade. Os próprios habitantes provocam mudanças como essa. Bairros que não eram tão importantes agora já são.

3. Metrópoles latino-americanas chegaram a um limite de crescimento? Sim. São Paulo e a Cidade do México, por exemplo, tiveram forte crescimento a partir dos anos 1950, com o movimento da população rural em direção aos grandes centros. Hoje, as coisas mudaram um pouco. Há cidades-satélites que permitem que os trabalhadores fiquem fora das metrópoles, mas é em pequena escala. Vemos também muita gente saindo das cidades para viver em outros lugares.  

4. Um dos principais problemas de São Paulo é o trânsito. Como mudar? É difícil, porque ter carro é ainda uma questão de aspiração. Nos ano 1970, na China, havia milhares de bicicletas. Com a abertura econômica, os bens ocidentais chegaram lá, entre eles os carros. Uma pessoa que tem sua BMW demora meia hora para chegar ao trabalho no ar-condicionado. Vai ser muito difícil fazer com que use transporte público. Essa mudança de consciência vai levar tempo para acontecer.

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