Quatro perguntas para...

Quatro Perguntas Para... Tânia Zagury, Professora, Filósofa, Escritora e Pesquisadora em Educação

, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

1. O Estado deve interferir na educação?

Interferência excessiva engessa a sociedade e pode conduzir a distorções. O projeto pode ter vindo de recentes casos que abalaram a todos, como o da procuradora recém-condenada e do pai que jogou a filha pela janela.

2.Palmada é necessariamente ruim?

Palmada já foi método pedagógico num passado recente. Mas os estudos sobre aprendizagem evoluíram e hoje sabemos que bater, ainda que de leve (espancar nem pensar), não garante a verdadeira aprendizagem.

3. Sabemos dar uma melhor educação hoje?

Sinceramente, não. Não foi porque nossos avós ou pais batiam nos filhos que as coisas funcionaram melhor! O que ocorreu foi uma série de fatores conjugados (influência das mídias, corrupção, impunidade, desestruturação familiar), que tornaram o educar hoje um desafio.

4. As crianças de hoje são mais malcriadas?

Acho que estão mesmo malcriadas. Não que sejam piores que outras gerações. Nada disso. Os pais de hoje, ausentes e inseguros, sentem-se culpados, como se estivessem em dívida com os filhos, e acabam perdendo o foco do que é realmente importante. Muitos consideram que sua tarefa principal é "fazer o filho feliz", o que acaba redundando em satisfazer desejos e vontades. Os pais das gerações anteriores consideravam mais importante "fazer dos filhos homens de bem" e isso quer dizer dar fundamentos éticos e morais, o que se consegue sem bater - mas não se consegue quando não se tem coerência e certeza do que se deseja. Isso dá trabalho, sem dúvida - e exige persistência e vontade. Nada a ver com palmada.

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