Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Quatro ficam feridos em protesto no Rio

PM lançou bombas de gás contra moradores de Vargem Grande que impediam reintegração

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

Policiais militares do Batalhão de Choque lançaram ontem dez bombas de gás lacrimogêneo contra moradores da Favela Vila Taboinhas, em Vargem Grande, na zona oeste do Rio. A ação foi durante um protesto contra a ordem judicial de reintegração de posse de um terreno de 33 mil m².

No tumulto provocado pela ação da polícia, uma criança foi pisoteada, três mulheres desmaiaram e pelos menos quatro pessoas ficaram feridas. Quando as bombas foram lançadas, o coronel Antônio Couto, que comandava a operação, fazia uma vistoria na favela, acompanhado de oficiais de Justiça, para conhecer o local das remoções, que atingem cerca de 250 famílias.

Couto afirmou que não havia partido dele a ordem para lançar as bombas. Depois, questionado sobre quem determinara a ação, ameaçou prender o repórter do Estado. "Você está atrapalhando o meu trabalho."

Segundo o coronel, policiais do Choque relataram ter reagido a pedras lançadas por moradores, mas isso não foi testemunhado pela reportagem. "É melhor dar um tiro em mim, mas não em meu neto", reagiu um dos moradores, de frente para o grupo do Batalhão de Choque protegido por escudos. Ele segurava a roda de um carrinho de bebê atingido - e destruído - na ação. O garoto não ficou ferido. "O que a gente fez de errado? O senhor não tem filhos? A gente não é bicho", afirmou outro homem, condenando a ação da polícia.

Moradores chegaram a erguer, com entulho e pedras, uma barricada na rua principal da favela, para impedir as máquinas levadas para demolir as casas.O terreno, de propriedade privada, começou a ser ocupado pelas famílias há cinco anos.

Falta de segurança. Ontem à noite, o subsecretário municipal de Habitação, Pierre Batista, informou que, em reunião com a Defensoria Pública e a juíza Érica Batista de Castro, ficou acordado que as famílias terão até 30 dias para deixar as casas.

Batista comprometeu-se a encontrar uma solução. "Já conversei com a juíza e vamos oferecer aluguel social de R$ 400 e assentar as famílias com renda de até três salários mínimos por meio do programa Minha Casa, Minha Vida", prometeu o subsecretário. "E quem não se enquadra, vai para debaixo da ponte?", reagiu um morador. "Vamos buscar uma solução. É a determinação do prefeito."P

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.