Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Quatro curiosidades sobre a Vila Nova Conceição

De bucólico povoado rural, ela teve seus córregos encobertos por importantes avenidas

O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2015 | 19h39

Se fizer um bom esforço, quem explora a Vila Nova Conceição em seus trechos mais residenciais e arborizados, como ao redor da Praça Pereira Coutinho, pode imaginar como era o bairro na década de 60: sossegado, cheio de chácaras, tranquilo. Tomando-se certa distância, a partir do lago do Ibirapuera, o que se vê, porém, é um horizonte vertical. Muitos prédios (é permitido construir altos edifícios na região). Mas de fato houve esse tempo em que a atmosfera era campestre, os imigrantes europeus plantavam, colhiam, vendiam, criavam gado de leite e te corte. Depois, com os loteamentos, resistiram muitas árvores e até riachinhos. Veja algumas curiosidades sobre o bairro.

1. Duas avenidas a mais, dois córregos a menos

O sossego e o cenário bucólico que predominavam na Vila Nova Conceição nas décadas de 50 e 60 eram valorizados pelo arvoredo abundante e os riachinhos, como os córregos do Sapateiro e Uberaba. No lugar do primeiro, hoje passa a Avenida Juscelino Kubitschek. Do segundo, a Hélio Pellegrino.  

2. ”A melhor aplicação para o seu dinheiro”

Na edição de 23 de maio de 1987, o anúncio dos Edifícios Omega e Unix, na Vila Nova Conceição, consolidava a vocação residencial de alto padrão (vertical) do bairro. Dizia o seguinte: “O melhor retorno: Vida”. Os imóveis do empreendimento eram anunciados como “a melhor aplicação para o seu dinheiro” e “o único investimento que rende duas vezes: em qualidade de vida, e na segurança de uma aplicação em imóvel; a longo prazo, a melhor alternativa para o seu capital”. A publicidade também apontava outro motivo para a compra dos apartamentos, “porque ninguém mora na Overnight, nem tem filhos que se divertem num CDB.”  Numa época em que a inflação estava sempre à espreita, a publicidade falava diretamente à preocupação de uma família em tempos de instabilidade, aplicar seu dinheiro num investimento resistente à desvalorização da moeda era o objetivo da maioria dos brasileiros. Veja a informação completa e um descritivo dos apartamentos de mais de 400 metros quadrados neste link do Acervo Estadão

3. O Parque do Ibirapuera poderia ser bem maior

As terras cedidas pela União à Prefeitura em 1890 e que dariam origem à área verde tinham originalmente 43,5 milhões de metros quadrados. Uma enormidade. Essas terras foram ocupadas por bairros como Jardim Lusitânia, Vila Nova Conceição e Indianópolis, além da Avenida dos Bandeirantes. Em 1926, quando o prefeito Pires do Rio propôs oficialmente a criação de um parque (que seria inaugurado em 1954), os contornos já eram próximos dos atuais. A região, conhecida como “invernada dos Bombeiros” ganhou o plantio de eucaliptos, para reduzir a umidade do terreno. Leia mais no blog do Edison Veiga.

4. Caiubi

É o nome do chefe da aldeia de índios tupi que existia na região do Ibirapuera no período colonial. Sabe-se pouco sobre Caiubi, exceto que ficou conhecido como colaborador dos jesuítas. Era irmão do cacique Tibiriçá, também aliado dos portugueses (muitas de suas filhas se casaram com exploradores e bandeirantes) e de Piqueri, opositor da colonização.

  

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