Quase um ano depois, trabalhos estão paralisados na cratera

Expectativa é que a Linha 4 do Metrô vai atrasar pelo menos 2 anos até começar a funcionar

Daniel Gonzales, Jornal da Tarde

09 de janeiro de 2008 | 17h18

Quase um ano depois do desabamento do poço de escavações da futura Estação Pinheiros, que matou sete pessoas e completa um ano no sábado, 53% das obras físicas de toda a linha, de 12,8 km de extensão, estão concluídos, segundo informou o Consórcio Via Amarela, responsável pela obra. No poço da Estação Pinheiros, local atingido pelo desabamento, os trabalhos estão totalmente paralisados, à espera da conclusão das perícias. Por isso, ela dificilmente estará pronta na primeira fase da obra, segundo as previsões de técnicos responsáveis pela coleta de provas. Atualmente, as obras transcorrem normalmente em 25 dos 26 poços de escavação ou futuras estações da primeira fase das obras. O megatatuzão, que já escavou 2 km de túneis em duas fases - da Estação Faria Lima até a Estação Oscar Freire - está parado nesta última, em manutenção, há dois meses. Deve voltar à ativa no mês que vem. Era no fim de 2007, depois em novembro de 2008, mais tarde no fim de 2009. Agora, já se fala no início de 2010 como a data mais provável para a entrada em operação da primeira fase da Linha 4 - Amarela (Luz - Vila Sônia) do Metrô. Em relação ao cronograma inicial, prometido pelo governo do Estado logo que as obras começaram, em 2004, a inauguração da linha, que tem demanda estimada em 900 mil passageiros por dia, deve atrasar mais de 2 anos. A inauguração em 2010 seria possível caso os trabalhos de investigação terminassem, no máximo, em janeiro, para que as obras pudessem ser retomadas a um ritmo que permitisse sua abertura junto com as outras cinco estações da primeira etapa - Butantã, Faria Lima, Paulista, República e Luz -, daqui a dois anos. O laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre as causas do acidente sai, pelas previsões dos peritos, apenas em agosto. Mas pode demorar ainda mais. "Quando houve um acidente semelhante na Inglaterra, em 1994, o desabamento na construção de uma linha de metrô entre o Aeroporto de Heathrow e o centro de Londres, os trabalhos de perícia levaram dois anos", diz o engenheiro Robert Kochen, diretor do Istituto de Engenharia, que participou do levantamento das provas do acidente inglês. "É algo minucioso." Mudança de método Enquanto a coleta de provas - restos de concreto, amostras de solo, aço e ferro - prossegue, um tema vem sendo discutido nas reuniões dos engenheiros responsáveis pela Estação Pinheiros: a mudança do método construtivo.  Antes do acidente, a estação era escavada por uma adaptação do "método invertido", ou NATM (New Austrian Tunneling Method). O teto é feito primeiro e a estação continua sendo feita por baixo, liberando o entorno mais rápido. Com a vala que se abriu já retificada, há a possibilidade da mudança do método para o VCA (vala a céu aberto), iniciando a obra pelo piso e pelas plataformas, de baixo para cima. Incidentes nas obras Março de 2005: três operários ficam feridos no canteiro de obras da Estação Butantã, depois de uma explosão acidentalOutubro de 2006: um operário morre soterrado depois do desmoronamento de um túnel de 23 metros de comprimento, na futura Estação Oscar FreireJaneiro de 2007: Sete pessoas morrem no desabamento das obras da Estação PinheirosAgosto de 2007: um buraco se abre na Rua dos Pinheiros, depois da passagem subterrânea do tatuzãoSetembro de 2007: duas frentes de escavação que deveriam se encontrar para compor um túnel na Zona Sul apresentam desvio de mais de 80 centímetrosDezembro de 2007: aparece um buraco na Rua Eugênio de Medeiros, em Pinheiros

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