Quase metade diz que trabalha e ganha em média R$ 20 por dia

Catador de material reciclável, flanelinha e chapa são as principais ocupações da população que dorme nas vias de SP

O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h01

Moradores de rua que trabalham (40,9%) declararam ganhar uma média de R$ 20,64 por dia. A maioria (52,6%) atua como catador de materiais recicláveis. A segunda profissão entre eles é a de flanelinha (10,8%), seguida pela de chapa (4,8%).

"Ganho mais do que um assalariado", afirmou William José Maria, de 34 anos, 16 deles vividos nas ruas. Ele contou que o trabalho puxando o carrinho é pesado, mas que o dinheiro que ganha é suficiente para suprir suas necessidades. "Não fumo crack, só bebo", disse o rapaz, que tomava cachaça perto do Minhocão na tarde da última quarta-feira.

A bebida está entre os principais gastos da população de rua e corresponde a 16,3% das despesas. A comida está em primeiro lugar - 30,3%. Em terceiro lugar está o gasto com cigarros (15,9%), seguido pelas drogas ilícitas (maconha, crack e cocaína) - 11%.

Ao eliminar álcool e drogas de sua vida, o catador de materiais recicláveis Raimundo Alves Costa, de 46 anos, conseguiu alugar um quarto na Rua Guaianases, nos Campos Elísios. "Fiquei dez anos morando na rua. Mas, quando parei de beber e fumar crack, comprei minha carroça e consegui sair", afirmou ele, que ainda convive com os velhos amigos.

Para conseguir comida, a maioria dos moradores de rua pede a transeuntes e em restaurantes (29,7%). Em seguida, estão os que compram em restaurantes populares (27,6%).

A maioria busca banheiros públicos (39,3%), mas um número considerável (29%) faz as necessidades na rua. Já a higiene pessoal, para 20,8%, é feita em torneiras de praças. A média de tempo vivendo nas ruas entre os entrevistados que não usam albergues é de cinco anos.

O coordenador da pesquisa, Rodrigo Estramanho de Almeida, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, afirmou que os resultados quebraram vários mitos a respeito da população de rua.

"A maior parte deles tem muito cuidado com higiene, com as refeições, consegue operar um meio de vida bastante eficiente. Existe um modo de vida na rua que precisa ser entendido", afirma o pesquisador. O estudo concluiu que o motivo de estar nas ruas não é apenas econômico, mas também psicossocial.

Acolhidos. A vida para aqueles que vivem em centros de acolhida é mais simples. Do total, 60% buscam comida nos albergues - só 4% pedem alimentos nas ruas. E 80,7% usam o banheiro. Nesse grupo, o porcentual dos que exercem atividade remunerada é maior, de 60,4%. Já a renda média é quase a mesma: R$ 22,36 por dia. / A.R.

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