Quase metade da população litorânea de SP se locomove a pé

Pesquisa Origem e Destino mostra que pouco mais de 50% dos moradores da Baixada Santista usam veículos

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 19h34

A primeira Pesquisa Origem e Destino da Baixada Santista realizada pela Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo mostrou a quantidade significativa de deslocamentos não motorizados, principalmente a pé e de bicicleta, nos nove municípios da região: das 2.079.516 viagens realizadas diariamente na Baixada, 54% são motorizadas e 46% não motorizadas. Os resultados da pesquisa foram divulgados nesta quinta-feira, 30, em Santos.   Veja também: Como os paulistanos se locomovem    O Secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, explicou que são consideradas viagens todos os deslocamentos acima de 500 metros que não sejam para o trabalho ou escola, nesses casos, quaisquer distâncias estão incluídas no critério. Iniciado em 2006, o estudo realizou 26 mil entrevistas em 8.300 domicílios a um custo de R$ 872 mil. A região foi dividida em 188 zonas de acordo com a densidade demográfica.   A pesquisa mostra que dos mais de dois milhões de viagens diárias realizadas na região, 661 mil são a pé e 303 mil de bicicleta; em terceiro lugar aparecem as viagens em ônibus municipal, 339 mil; e em quarto dirigindo o automóvel, com 249 mil. Das viagens motorizadas, 62% são em transporte coletivo e 38% individual.   Considerando o motivo da viagem, o estudo mostra que 49% dos deslocamentos são para o trabalho e 40% para o estudo. Na seqüência aparece lazer com 6%, saúde com 3%, e compras com 2%. Entre os usuários das bicicletas, 54% deles utilizam o veículo para ir trabalhar e 42% para o estudo, restando 4% para lazer e outras atividades.   Portella destaca que o resultado do número de viagens de bicicleta mostra que a Baixada está "à frente" da Região Metropolitana de São Paulo, onde apenas 0,7% das pessoas utilizam as bicicletas como meio de transporte - na Baixada o número corresponde a 15%. "O resultado que mais me agradou foi o da bicicleta. Essa vai ser a grande política nossa em São Paulo também. Para melhorar a vida das pessoas, tem que retirar o carro da rua", disse o secretário, lembrando da importância da pesquisa como instrumento de planejamento.   O prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), também elogiou a iniciativa da pesquisa para que se crie uma "visão metropolitana". Segundo ele, apenas agora, com a ferramenta da pesquisa, os municípios da Baixada poderão fazer investimentos em um transporte coletivo integrado. "O cidadão metropolitano até hoje não surgiu exatamente por falta de mobilidade, falta de eficiência nos transportes", afirmou o prefeito reeleito.   Com renda familiar média de R$ 1.617,00 (valor acima da média de R$ 1369,15 da região), Santos tem a maior frota de veículos e taxa de motorização da Baixada, com 63.825 veículos 6,6 habitantes por automóvel. Já a maior frota de bicicletas está no Guarujá, com 120.794 mil, 2,5 habitantes por bicicleta. No entanto, Mongaguá vence em proporção com 2,3 habitantes por bicicleta e uma frota de 18.790.   Veículo Leve Sobre Trilhos   O secretário Portella aproveitou a visita a Baixada Santista para divulgar novidades do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) baseado na implantação de uma rede de ônibus interligada ao futuro metrô leve, o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O projeto inicial do VLT tem 11 quilômetros de extensão e utiliza a antiga linha de trens de carga que corta Santos e São Vicente. Em uma primeira fase, planejada para entrar em testes em 2010, o modal ligará o terminal Barreiros, em São Vicente, à região portuária de Santos. A idéia futura é interligar toda a região, de Bertioga a Peruíbe.   "No dia 13 de novembro as proponentes vão entregar a proposta do projeto básico. A modelagem financeira prévia está pronta. O nosso horizonte é que a concessão esteja na rua no final de janeiro início de fevereiro", disse o coordenador do SIM da Baixada, José Carlos Gomes. Será uma Parceria Pública Privada, com investimentos do governo estadual com contrapartidas dos municípios e uma concessão para a operação pela iniciativa privada.   O governo do Estado já se comprometeu a entrar com uma verba de R$ 748 milhões para a implantação do projeto. Segundo o prefeito Papa, Santos buscará recursos no Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE), também do Governo Estadual, e no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade, do Governo Federal.

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