Quartel da Rota será restaurado pela primeira vez

Sede da corporação na Luz, região central de São Paulo, completa 120 anos e vai ganhar em 2012 uma reforma de R$ 32 milhões

Felipe Frazão e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2011 | 03h04

Aos 120 anos, o complexo do Quartel da Luz será totalmente restaurado pela primeira vez. O complexo da Polícia Militar no centro de São Paulo completou 39 anos de tombamento no dia 15 e vai passar por uma reforma estrutural, com recuperação de pavilhões inteiros - hoje degradados e vazios. O governo do Estado pagará R$ 32 milhões pela obra - e promete concluí-la em um ano.

O edital de escolha da empresa que executará o restauro será lançado em breve, prevê a PM. O complexo da Luz, na verdade, são dois quartéis que abrigam cerca de 1,5 mil homens do Regimento de Cavalaria 9 de Julho e do 1.º Batalhão de Polícia de Choque - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).

Todos os prédios no entorno do terreno circundado pela Avenida Tiradentes e Ruas João Teodoro, Jorge Miranda e Guilherme Maw, pátios e edifícios internos foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). O órgão estadual já fez vistorias no quartel e terá agora de aprovar o projeto executivo - que ainda não recebeu - de restauração e determinar o que será mantido ou modificado.

     

Demolição. Puxadinhos que não constavam no projeto original devem ser demolidos. Policiais da cavalaria estimam que as baias de cavalo do "Pavilhão Anju" sejam reconstruídas. O prédio precisou ser derrubado por risco de desabamento - restaram duas paredes de pé. "Com o tempo, infelizmente, houve descuidos e as coisas foram sendo mudadas, fazendo puxadinhos por pressa e urgência. Pode ter tido prejuízo para a obra. Tudo vai voltar como era antigamente", diz o comandante de policiamento de Choque, coronel Cesar Augusto Morelli.

Em algumas alas da caserna, o estado é crítico. O piso está comprometido no mezanino principal da Cavalaria, onde um pavilhão inteiro precisou ser inutilizado. O comando desativou todos os andares e os transformou em depósito de materiais - anteriormente, funcionavam ali salas administrativas, de aula do 4.º Esquadrão e uma cantina.

Do alto, no mezanino do pavilhão, a vista é privilegiada, de toda a área do Regimento 9 de Julho, as baias e os picadeiros para treinamento hípico. Mas, de perto, ele está bastante deteriorado, com paredes de madeira arrebentadas, piso empoeirado e tijolos à mostra nas paredes.

A divisão que cuida das viaturas da Cavalaria, por exemplo, perdeu sua sala própria e trabalha em local improvisado. Com a reforma, deve ter espaço próprio de volta. Por causa da degradação e de uma reforma recente, algumas companhias e seções foram colocadas juntas.

"O quartel vai voltar a ser funcional para uso e não só para tirar foto", diz Morelli. "A gente sempre contorna (as dificuldades) em virtude da necessidade operacional, mas estando em pleno funcionamento vai melhorar e muito. Não vai precisar dividir mesa, vai dar mais conforto."

O madeiramento original do Quartel da Luz, feito com pinho de Riga importado da Rússia, foi trocado com o tempo, porque estava infestado de cupins. Os pedaços restantes são usados para construção de móveis e estão também na Sala da Memória da Cavalaria e no museu subterrâneo da Rota.

Túnel. Agora há também raríssimas telhas francesas vindas de Marselha, gradualmente substituídas ao longo dos anos. Mas, pelo menos na rede de túneis da Rota, ainda é possível ver os tijolos italianos, com desenhos de estrelas, âncoras e foguetes. "Se quem construiu fez desse jeito, parece que queria passar uma mensagem", diz o soldado Joaquim Gonçalves Rocha, da área de logística e finanças, mas que com 20 anos de Rota visita e cuida do emaranhado de caminhos subterrâneos e preserva a história do batalhão.

PRECIOSIDADES

Detalhes da construção preservados na Sala de Memória

Madeiras

Pinho de Riga, vindo do Império Russo, reforçou o piso

Telhas

Vindas de uma olaria em Marselha, no sul da França

Tijolos

Produzidos na Itália com gravuras de estrelas, foguetes, âncoras e até siglas, como FP, de Força Pública

 

 

 

 

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