'Quando vi as máquinas, cheguei às lágrimas'

Ver o histórico Bauru Atlético Clube (BAC), em cujo campo Pelé jogou na adolescência, ser transformado em supermercado foi triste para muitos bauruenses. Até para quem torcia contra o clube. "Quando eu passei na frente do endereço e vi as máquinas derrubando o muro, cheguei às lágrimas", lembra o historiador Luciano Dias Pires, noroestino fanático - o Noroeste era o maior rival do BAC. "Era parte de nossa história, da história de Bauru e da história do futebol brasileiro, desaparecendo de uma vez por todas."

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2011 | 00h00

Fundado em 1.º de maio de 1919 com o nome de Luzitana Futebol Clube, o clube foi rebatizado como BAC em 1946 e se tornou um dos mais importantes do interior. Dondinho, o pai de Pelé, jogou pelo clube. Por isso, o futuro melhor jogador da história do futebol iniciaria sua carreira no juvenil do BAC, em 1953, antes de ir para o Santos. "Mesmo sendo noroestino, eu e meus amigos íamos ver os jogos do juvenil do BAC nessa época, porque todo mundo falava no Pelé."

A partir dos anos 1960, com a extinção de seu departamento de futebol, o clube passou a ser importante para a classe média bauruense. Mas a crise avançou com o tempo e, em 2006, imerso em dívidas - incluindo R$ 500 mil de IPTU - e com número cada vez menor de associados, o BAC vendeu sua sede para uma rede de supermercados, pelo valor de R$ 4 milhões. Restaram apenas a sede de campo e - para os bauruenses que, como Pires, viram o auge esportivo e social daquele local - a lembrança.

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