Ramiro Furquim/AE
Ramiro Furquim/AE

'Quando tiraram o tubo, senti que podia respirar', diz paciente

Transplantado recebe pulmão após trocar Paraná por Rio Grande do Sul; idosa viaja do Amapá para Pernambuco

Elder Ogliari / Porto Alegre, Angela Lacerda / Recife, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2013 | 02h06

Os deslocamentos do "turismo do transplante" ultrapassam as divisas do Ceará. Pernambuco e Rio Grande do Sul também atraem pacientes em busca de cirurgias.

Na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o caminhoneiro aposentado José Wilmar Moellmann, de 55 anos, está aprendendo a voltar a respirar. Recebeu um pulmão novo no dia 21 de abril. Sua meta é voltar para Toledo, no oeste paranaense. "Vou agradecer a Deus pela vida", diz. "Também vou participar de campanhas para incentivar a doação de órgãos."

Moellmann e a mulher, que largou o trabalho de casa para ficar sempre a seu lado, moraram em casa alugada em São Leopoldo e, posteriormente, na capital, em uma casa de apoio. "Gastamos tudo o que tínhamos, menos a nossa casa", conta. Além da aposentadoria de R$ 1,2 mil, o paciente recebeu auxílio do governo do Paraná para viagens e ajuda de R$ 15 por dia para tratamento fora do domicílio. Os dois filhos, de 29 e 23 anos, ficaram em Toledo.

Em abril, depois de 12 meses de espera em São Leopoldo e Porto Alegre, Moellmann foi chamado para o transplante. "Não lembro nada dos 19 dias em que fiquei na UTI", conta. "Quando tiraram o tubo, me senti estranho, não sabia como fazer para respirar, mas sentia que podia. Só uns dois dias depois percebi mesmo como isso é bom. O sintoma era falta de ar, e isso eu não tenho mais", afirma, ressaltando que a gratidão pela equipe que o atendeu não cabe nas palavras que pronuncia livremente.

Superação. Maria da Costa Viana, de 63 anos, casada, sete filhos, 11 netos, se submeteu a um transplante de fígado há um ano e meio no Recife, onde o Hospital Osvaldo Cruz é referência. "Foi uma experiência muito boa, salvou a minha vida", diz ela, que é de Macapá.

Maria se instalou com uma filha em uma casa de apoio. Depois de um mês, voltou para sua cidade, como a primeira transplantada de Macapá. Ela toma medicamento para evitar rejeição e insulina para controlar a diabete. O tratamento de Maria, assim como as passagens dela e da acompanhante, foram pagos pelo SUS. "Minha família não tem recursos, eu nunca poderia arcar com essas despesas", diz. Sobre o doador, sabe que era um jovem de Salvador. "Todos os dias rezo por ele."

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