'Quando reclamei, me pediram para calar a boca'

Diretora financeira da Brookfield Gestão de Empreendimentos entre 2008 e 2010, Daniela Gonzales acusou a empresa de pagar R$ 1,6 milhão em propinas para Aurélio Miguel (PR) e o ex-diretor municipal Hussain Aref Saab. Ao Estado, ela confirmou acusações feitas ao Ministério Público - que incluem, na sua versão, pagamento de R$ 640 mil em dinheiro vivo, entregue em um carro-forte - e disse estar sendo perseguida.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h02

A senhora sofreu intimidações desde que saiu da empresa?

Sim. Eles visitavam meu prédio, ficavam fazendo perguntas sobre a minha família, meus filhos, iam no prédio da minha mãe. Tentava arrumar emprego e eles ligavam para a pessoa e falavam um monte de asneira sobre mim... Fizeram da minha vida um inferno.

Como foi sua saída do grupo?

Saí em abril de 2010, depois de ter feito denúncias para o chairman da empresa, que fica nos Estados Unidos, em julho de 2009. No dia 28 de agosto, já pediram minha demissão.

O que a senhora denunciou?

Quando aconteceu o caso do pagamento de propina entregue no carro-forte, já era a terceira vez que eu tinha ouvido falar de propina lá dentro de forma séria. Quando reclamei internamente, me pediram para calar a boca, que isso não era coisa que falava em e-mail, que parecia que eu tinha chegado no Brasil ontem.

Propina era algo comum?

Parece que tem uma doença social lá dentro. Nunca vi uma empresa que fica falando; "Ah, vou pagar bola, o Aref tem de receber hoje, porque senão vai vir fiscalização..."

Como era o contato da senhora com essas práticas?

Todos os pedidos passavam pela minha mão, já que era responsável pelo financeiro. Eu olhava se tinha contrato, se tinha serviço.

Mas eram notas frias?

Olha, gerenciamento da obra do banheiro, R$ 576 mil. E eles falavam: "Ah, isso aqui é para pagar o Aref, é para pagar o Aurélio Miguel, que vão ajudar a gente." Mas eu não pactuaria com isso e me recusei a assinar notas.

Depois disso, o que houve?

Quando eles viram que eu era contra aquilo, me colocaram na geladeira, no limbo. Pedi para me demitirem e só me demitiram quando procurei o chairman do grupo nos Estados Unidos e falei que mostraria as provas para os investidores da Brookfield. / R. B.

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