'Quando PM mata bandido, acham normal', diz promotor sobre absolvição de PMs

Hélio Bicudo, responsável por indiciar integrantes do chamado esquadrão da morte, fala sobre a dificuldade do júri em julgar oficiais

Entrevista com

Bruno Paes Manso, de O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h02

Em 1970, o promotor Hélio Bicudo foi um dos protagonistas do processo que levou ao indiciamento de 35 pessoas suspeitas de integrar o esquadrão da morte, policiais civis acusados de mais de 200 mortes. Em 1996, Bicudo conseguiu a aprovação da Lei 9.299, que levou seu nome e transferia todos os homicídios praticados por militares ao Tribunal do Júri. A intenção era diminuir o corporativismo dos oficiais no julgamento dos PMs.

PMs filmados foram absolvidos no júri. O que o senhor acha?

Era o esperado. Acho que o júri está cooptado pela imprensa sensacionalista que prega a justiça pelas próprias mãos na TV. O povo quer vingança e, por isso, durante o julgamento, acaba absolvendo o PM matador.

O que esperava quando enviou casos de homicídios de PM para a Justiça comum?

A gente pensava em diminuir a impunidade, mas pensava em uma sociedade politizada. Infelizmente, as pessoas acham que o PM não erra quando mata bandido. Acham normal.

O senhor se arrepende de ter feito a lei?

Não, porque eu creio que a lei tem caráter educativo. As pessoas precisam compreender que o homicídio do PM não resolve o problema de segurança.

O que fazer para diminuir a impunidade de PMs violentos?

É fundamental que os promotores participem das investigações e ajudem a arrumar as provas. Era o que eu fazia e parece que hoje não se faz mais.

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