Quando a correria significa prejuízos

ARTIGO

, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

O sonho da maioria dos brasileiros é viver em uma cidade com opções médicas, escolares, de entretenimento e onde se possa usufruir da melhor culinária.

Só nas metrópoles isso pode ser obtido. Mas o que custa ao ser humano preencher essas ambições?

Ele precisará aprender a lidar com diversos estressores modernos, como trânsito insuportável e inevitável no início e no fim do dia, espaços sem infraestrutura e qualidade de vida, nos quais famílias convivem sem muita privacidade, poluição - sonora, de ar, na água -, miscigenação de ideias e ideais, barulho grande e contínuo. Além, claro, da violência urbana.

Relações afetivas horizontais, ou seja, impessoais e superficiais, passam a ser parte da vida de quem vive nas metrópoles. E a competição exagerada acaba ocorrendo. Profissionais capazes, competentes e bem formados precisam trabalhar horas e horas extras, sempre com a preocupação de não ser suplantado por outros também competentes e bem formados. Neste afã, empresas premidas pela necessidade de arcar com impostos e obrigações trabalhistas sobrecarregam os funcionários mais capazes, levando-os ao "workahoolismo" (vício no trabalho).

A soma desses fatores conduz ao resultado inevitável: o desencadeamento de um nível de estresse excessivo e patológico, que ameaça a estabilidade emocional do ser humano, afeta seu funcionamento biológico e traz muitos prejuízos para o exercício da cidadania plena.

O ser humano estressado produz menos, não consegue se relacionar satisfatoriamente com os outros, atua menos na comunidade, é menos feliz.

Por isso, é fundamental que as autoridades se conscientizem da importância imensa que um bom gerenciamento do estresse pode ter ao bem-estar da comunidade e promovam ações para equipar o povo para lidar com os estressores da vida nas metrópoles.

Marilda Lipp é professora e coordenadora do Centro Psicológico de Controle do Stress da PUC-Campinas

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