Clayton de Souza/AE - 8/6/2010
Clayton de Souza/AE - 8/6/2010

Qualidade do ar piora na capital em 2010

Níveis de ozônio ficaram acima do padrão 257 vezes, 76% do registrado em 2008

Afra Balazina, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2011 | 00h00

O número de vezes em que a qualidade do ar ficou imprópria na Região Metropolitana de São Paulo aumentou 76% em 2010, na comparação com 2008. As estações de medição da qualidade do ar indicaram que os níveis de poluição para ozônio estiveram acima do padrão aceitável 257 vezes - sendo que em 54 delas chegou-se ao estado de atenção. Esse poluente é hoje o mais preocupante do Estado.

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Em 2009, foram 201 vezes em que a poluição ficou alta na região (com 43 estados de atenção) e, em 2008, foram 146 ultrapassagens do padrão (39 estados de atenção). Em um único dia pode ocorrer de mais de uma estação ficar com qualidade ruim. No ano passado, por 61 dias o ar ficou impróprio - 19,6% mais dias poluídos do que 2008, que teve 51 dias.

O Parque Ibirapuera liderou com folga a lista das estações com maior poluição em 2010: em 49 vezes teve ozônio acima do recomendado. Este poluente é chamado de secundário e se forma a partir das reações entre óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis, na presença de luz solar. Por sua formação estar relacionada a outros compostos e depender muito das condições meteorológicas, seu controle é mais difícil. Dias bonitos, com muito sol e com céu claro, são os piores para ozônio.

Causas. Para a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável pelas estações de medição, a grande estiagem, principalmente em agosto do ano passado, contribuiu para a piora da qualidade do ar. A chuva e o vento ajudam a dispersar os poluentes.

Enquanto 2010 foi um ano marcado pela estiagem, o ano de 2009 teve muita chuva. Segundo Maria Helena Martins, gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, 2009 foi um ano "atípico", muito favorável para a dispersão dos poluentes.

Apesar de a inspeção veicular - que tem como objetivo ajudar a controlar a poluição - ter começado em 2008, foi só no ano passado que ela se tornou obrigatória para todos os veículos da capital. Enquanto isso, no mesmo período a frota de veículos aumentou na capital e no Estado.

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em novembro de 2008 havia 6,3 milhões de veículos na capital. Em novembro do ano passado, a frota era de 6,9 milhões (aumento de 9,5%). No Estado, o número de veículos passou de 18,8 milhões para 21,4 milhões - crescimento de 13,8%.

"É preciso avançar nos programas de controle da poluição, não dá para depender da meteorologia", afirma Carlos Komatsu, gerente do departamento de Qualidade Ambiental da Cetesb. Ele ressalta como ponto positivo que não se chegou nenhuma vez ao estado de alerta em 2010, mas admitiu que há muito a ser feito. "Há episódios de ultrapassagem do padrão nos finais de semana, quando há menos carros em circulação. É preciso ter uma redução muito significativa da frota para fazer diferença", diz ele, enfatizando a necessidade de investir em transporte público.

Na opinião do médico Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, a piora da qualidade do ar era esperada, já que não param de entrar novos carros nas ruas. "E as pessoas ficam cada vez mais tempo paradas no trânsito, respirando essa poluição", diz. Para resolver o problema, afirma ele, será preciso adotar medidas "mais doídas e impopulares" - e os governantes precisam ter coragem para implementá-las. Ele cita como exemplos o pedágio urbano e a redução de faixas para carros para a inclusão de ciclofaixas.

Interior. O interior do Estado também teve aumento da poluição. Os municípios de Americana, Campinas, Jundiaí, Paulínia e Piracicaba tiveram, juntos, 32 dias poluídos. Em 2008, foram 27 dias. Santa Gertrudes, com 21,6 mil habitantes, teve quatro dias poluídos em 2010.

Nesse caso, porém, o problema não foi o ozônio e sim o material particulado. Esse poluente é um conjunto de poeiras e fumaça. A área é problemática por causa da produção de cerâmicas. "O transporte da argila das jazidas para as fábricas faz com que a cidade fique empoeirada", diz Komatsu, da Cetesb. Quanto mais fino o material particulado, mais fundo ele penetra nos pulmões e mais danos pode provocar à saúde.

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