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Numa área de 10 km² da zona sul, está o maior número de oportunidades de trabalho da capital

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2011 | 23h00

Não é à toa que as ruas do Itaim-Bibi vivem sempre cheias de homens engravatados e mulheres de terninho. Aquela área de 10 km² na zona sul concentra o maior número de oportunidades de trabalho da capital. No distrito, que compreende os bairros de Vila Olímpia, Itaim-Bibi, Brooklin Velho e Brooklin Novo, 54.873 empregados de 8.460 empresas circulam diariamente pelas grandes avenidas de prédios espelhados e pelas vielas laterais dos cafés e restaurantes, num ritmo bem mais acelerado do que em outras partes da cidade.

 

A razão de haver tantos executivos no Itaim é justamente o alto faturamento das companhias instaladas na região. "Grande parte das grandes empresas e multinacionais sediadas em São Paulo fica por ali, além do entorno da Paulista e da Chácara Santo Antônio", diz Fernando Marucci, diretor da Asap, empresa de recrutamento e seleção de executivos.

 

A primeira consequência se reflete no mercado imobiliário. Apesar de já ser uma área saturada, a cada dia mais prédios de escritórios são lançados na região. O Itaim-Bibi lidera os lançamentos do tipo desde 1985, com 54 novos empreendimentos daquele ano até 2009.

 

A segunda consequência é um crescimento na oferta de bares, restaurantes e outros serviços no distrito. Isso acontece porque a maioria dos executivos que trabalham ali é formada por jovens, tem dinheiro para consumir e prefere morar perto do trabalho - o que contribui para diversificar ainda mais a economia local.

 

O perfil desses executivos varia bastante, mas a maior parte é composta por jovens de idades entre 28 e 35 anos, que ganham entre R$ 7 mil e R$ 12 mil mensais e trabalham de 9 a 12 horas por dia.

 

"A rotina varia de empresa para empresa, mas, normalmente, trabalha-se muito, principalmente no início de carreira, quando o profissional tem de mostrar mais trabalho", explica Marucci.

 

Na maioria das companhias, é o próprio executivo que dita seu ritmo de trabalho - e decide, por exemplo, se será possível almoçar com mais calma na Rua Amauri ou se dá para descer por dez minutos para fumar um cigarro na entrada do prédio. "O importante é que ele faça o serviço, mesmo que tenha de trabalhar no fim de semana para compensar, o que é bem comum", diz o diretor.

 

Mudança. O perfil do Itaim-Bibi mudou drasticamente de três décadas para cá. Até os anos 1970, era uma espécie de região-dormitório, onde moravam trabalhadores simples de empresas do centro da cidade e fábricas de Lapa, Mooca e outros bairros operários.

 

"Os grandes prédios de negócios só começaram a ser construídos aqui quando inauguraram a Avenida Juscelino Kubitschek, em 1976", lembra Helcias Bernardo de Pádua, presidente da Associação Grupo Memórias do Itaim.

 

Com a falta de espaço para novos prédios de escritórios na Avenida Paulista, a região começou a chamar a atenção dos construtores: ainda era cheia de terrenos vagos. Os primeiros empreendimentos imobiliários foram erguidos ali no início dos anos 1980. Desde então, o Itaim-Bibi não parou - cresceu e cresceu, até se tornar hoje o distrito empresarial mais vibrante da capital.

 

Nos bairros-dormitório, uma viagem até o serviço

Em Guaianases, na zona leste da capital, são apenas 2.100 empregos para 110 mil habitantes

 

O bairro mais dormitório de São Paulo fica do outro lado da cidade, no extremo leste. É o distrito de Guaianases, que possui 110 mil habitantes para apenas 1.075 empresas e 2,1 mil empregados. Isso significa que lá menos de 2% do total de moradores trabalha na região onde vive.

 

Localizado em um local de difícil acesso, Guaianases é um bairro onde se acorda cedo para pegar o trem e sacolejar até o trabalho, geralmente a vários quilômetros dali.

 

Os habitantes no bairro, porém, acreditam em um futuro promissor, que parece ficar mais real a cada vez que um novo projeto é anunciado para a região.

 

O primeiro foi a inauguração no ano passado do prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego. Agora, com o prolongamento da Radial Leste até o distrito e a construção do Trecho Leste do Rodoanel - que passará a poucos quilômetros dali -, Guaianases será cortada por vias expressas e tem chance de atrair indústrias, universidades e empresas.

 

O bairro também fica próximo dos limites da Operação Urbana Rio Verde-Jacu, um instrumento de incentivos fiscais e imobiliários da Prefeitura voltado à criação de postos de trabalhos.

 

Tudo isso ainda tem de sair do papel para funcionar, mas há quem já enxergue hoje mesmo o potencial do distrito. Uma dessas pessoas é o empresário João Rossi, de 51 anos, dono de quatro supermercados no extremo leste da cidade - o mais lucrativo deles em Guaianases, inaugurado há cerca de 8 meses.

 

Natural do Itaim Paulista, também na zona leste, Rossi já havia vendido uma rede de cinco supermercados na região ao Grupo Extra há cerca de quatro anos, mas percebeu que ainda havia mercado potencial na região e voltou a investir.

 

Na loja de Guaianases, pôs cerca de R$ 9 milhões e o retorno está compensando: o faturamento bruto mensal ultrapassa R$ 4 milhões.

 

"A sacada é aproveitar a mão de obra que quer trabalhar na região e a capacidade de consumo de uma área populosa, que cada vez está ganhando melhor", ensina Rossi. Assim, ele ajuda também a criar empregos - só em Guaianases são 200, a maioria ocupada por pessoas do bairro - e a alavancar a economia da região.

 

Campeões de emprego

1º Itaim-Bibi

2º República

3º Vila Mariana

4º Pinheiros

5º Jardim Paulista

6º Sé

7º Moema

8º Santana

9º Santo Amaro

10º Saúde

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