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Distrito com mais opções de compra da capital, a República é o paraíso para quem busca diversidade

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2011 | 23h00

Santa Ifigênia. De lâmpadas a instrumentos musicais, um mundo de variedade em uma só rua

 

Nas 37 prateleiras e 13 armários que cobrem do chão ao teto uma centenária loja da Rua Santa Ifigênia, no centro, há 3,5 mil tipos diferentes de lâmpadas. Isso mesmo, só lâmpadas: pontos de luz para microscópios, refletores de cinema, painéis de navio, laparoscópios, holofotes de busca dos helicópteros da PM. Como em todo o bairro da República, distrito onde mais se tem opção de compra na capital, a ordem ali é variedade.

Já no Silva Aguilar, maior mercado de Marsilac, distrito no extremo sul da capital, a lâmpada incandescente sai a R$ 2 e a fluorescente, a R$ 4. E é isso. São os dois únicos tipos de lâmpada oferecidas para iluminar as casas das 9 mil pessoas do bairro, uma área de proteção ambiental e único distrito da metrópole ainda considerado rural. Mas, em lugar tranquilo assim, seria necessário também tanta opção?

Em outra loja especializada da Santa Ifigênia, desta vez em música, 120 modelos de violão acústico estão expostos nas paredes. Também há 80 tipos de guitarra, 18 teclados diferentes, 11 variedades de gaita de boca, 1 baixo acústico, 1 ukulele. A 100 metros da loja de lâmpadas, existem 3 mil itens de música.

Voltamos a Marsilac. O Mercado Silva Aguilar oferece um solitário jogo de cordas de violão, colocado entre potes de esmalte e chupetas de bebê. É a única opção musical oferecida nas gôndolas do mercadinho - uma das dez empresas registradas no distrito de menor oferta de consumo na cidade. Variedade ali não existe - mas será mesmo necessária, quando tudo o que se quer é tocar violãozinho no fim de semana na chácara?

“Por aqui, temos de vender de tudo em um só lugar. Porque, como não há opção, as pessoas vêm buscando tudo o que precisam para a casa”, conta o comerciante Manoel Silva Aguilar, de 51 anos, há 30 tocando o mercado no Jardim Embura, em Marsilac. Orgulhoso, ele mostra as câmeras de segurança, os produtos importados que oferece, a única máquina de passar cartão de crédito da região. “Quando se faz direito, o comércio cresce. Mesmo num bairro com tão pouca gente, tento oferecer o máximo que se poderia encontrar em outros centros da cidade.”

Na República, há 20 supermercados, distribuídos em três bairros. São cerca de 7 mil empresas e 26.334 funcionários - praticamente um empregado registrado para cada dois moradores e quase o triplo da população de Marsilac, o distrito menos populoso da capital. A oferta é tanta que, de dia, a população da região praticamente duplica. No Marsilac, a partir da década de 1950, desde que foi proibida a produção de carvão que impulsionava a região, o número de habitantes chegou a diminuir. Hoje todo o comércio é voltado ao abastecimento local.

“É incrível pensar que se trata de uma mesma cidade. Claro, cada um com seus prós e contras”, diz o comerciante Antônio Ferreira, de 58 anos, dono de loja especializada em telefones na República - 70 tipos diferentes de aparelhos fixos, de R$ 12 a R$ 500, de modelos da década de 1960 a tipos atuais. “Se por lá não tem tanta opção, aposto que o pessoal do Marsilac não se incomoda tanto com a correria do dia a dia quanto quem fica aqui, na muvuca.”

Palavras com as quais o comerciante Manoel - que oferece numa prateleira ao lado da gôndola de refrigerantes um único telefone a R$ 26,50 - concorda “totalmente”. “Não troco meu bairro por nada. A lógica daqui é simples: se não posso ampliar meu mercado por falta de público, vou continuar investindo, para melhorar o que já tenho.”

 

Consumo

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