Qual a sua SP ideal? Se a maior preocupação for segurança

Ainda que moradores não acreditem, dados policiais apontam a Vila Mariana como o distrito mais seguro

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

O empresário Jonas Gomes de Correia sabe que mora no bairro mais seguro de São Paulo. Mas isso não basta. "Toda noite, quando chego ao prédio, faço questão de checar se as imagens das câmeras de segurança estão aparecendo corretamente no monitor da guarita", conta.

Mesmo no distrito da Vila Mariana - que segundo as estatísticas policiais tem os menores índices de criminalidade da cidade -, a sensação de insegurança não abandona os moradores. Não é para menos. A violência está presente no cotidiano da cidade. Amedronta. Aterroriza.

"O fato de ser o bairro mais seguro de São Paulo se deve justamente à população não baixar a guarda", acredita o advogado Douglas Melhem Junior, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da região. "É natural que o morador sempre esteja ansioso diante do que pode acontecer. Mas recomendamos a prevenção. Que se traduz em segurança."

Foi por isso que, há cinco anos, o empresário Jonas decidiu afrouxar a gravata, arregaçar as mangas e assumir, voluntariamente, o processo de revisão do sistema de segurança de seu prédio. "Começamos a manter backup das imagens, ampliamos o número de câmeras, treinamos e conscientizamos funcionários e condôminos e contratamos uma empresa de segurança privada."

Em 2010, a região da Vila Mariana registrou 2.503 furtos, 1.249 roubos, 10 roubos a banco, 1 de carga e 1 homicídio. Realidade bem distinta do distrito do Jardim Ângela. Em 1996, a região foi apontada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a mais violenta do mundo. De lá para cá, a situação melhorou. Mas ainda está longe do ideal. No ano passado foram registrados ali 922 furtos, 902 roubos, 2 roubos a banco, 156 de carga e 49 homicídios. Os índices negativos são puxados não só pelo Jardim Ângela, que dá nome ao distrito, mas por englobar outros bairros com criminalidade em alta, como Jardins Aracati e Herculano e Morro do Índio. A região também sofre influência do vizinho distrito do Capão Redondo.

"Um dos caminhos para melhorar a situação é o que vem sendo trilhado pelos inúmeros projetos sociais da região", diz Neide Lopes, do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP).

Futebol. Também não faltam histórias de superação. Anderson Agostinho tem 29 anos e não só venceu as drogas como virou exemplo. Há um ano e meio, ele teve a sacada de usar a paixão pelo futebol para incentivar a criançada a ler. Todo sábado, uma quadra no bairro de Piraporinha fica pequena. O encontro começa com a leitura de um texto sobre futebol. "E depois rola a pelota", explica Anderson.

Uma vez por mês, a brincadeira vai até mais tarde. À noite, a quadra vira cinema e ganha um convidado especial - em dezembro, o apresentador Marcelo Tas foi ler O Menino Maluquinho, de Ziraldo. Depois, foi a vez de um filme de Charles Chaplin. "Sempre aparecem 60, 70 crianças. E muitos adultos."

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