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Quadros pintados por Cabo Bruno na prisão serão leiloados

Viúva de ex-matador e pastor evangélico morto em setembro vai vender obras pelo Facebook; lance inicial é de R$ 350

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2012 | 03h02

A partir das 12h desta quarta-feira, 17, a viúva de Florisvaldo de Oliveira - que nos anos 1980 ficou conhecido como o justiceiro Cabo Bruno e foi assassinado em 26 de setembro - vai realizar um leilão de cinco quadros feitos por ele na prisão por meio da rede social Facebook (migre.me/bbrMc). O leilão vai até 23h.

A iniciativa é da viúva de Oliveira, a pastora evangélica e cantora gospel Dayse França, que busca se reerguer com a família em outra cidade.

Quando Cabo Bruno saiu da prisão, em agosto deste ano, passou a viver com a mulher e os três enteados em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba.

Os quadros foram encontrados no meio dos bens que ele deixou na Igreja Refúgio em Cristo, em Taubaté, onde passou a atuar como pastor no domingo anterior à sua morte.

O lance inicial será de R$ 350. As obras leiloadas são as das imagens ao lado. Na foto onde Oliveira aparece, será posto em leilão apenas o quadro que ele carrega. "Não conheço o ramo nem faço ideia do que vai ocorrer. Vamos colocar primeiro um quadro de paisagem e sentir como serão as ofertas", disse Dayse.

Segundo ela, Oliveira pintava réplicas e copiava os quadros de outros artistas. "Eu não sei o nome dos quadros e dos pintores que ele copiou. Vou ver se descubro até amanhã (hoje)."

Casamento. Durante os 27 anos de prisão, depois que se tornou evangélico, o ex-justiceiro pintava quadros para passar o tempo. Chegou a produzir 74 telas, que foram vendidas pela mãe de seu filho.

Em 2008, ele se casou com a pastora na prisão. Ele a conheceu durante as visitas que ela fazia ao Presídio de Tremembé para evangelizar os presos.

Pouco mais de um mês depois de ser posto em liberdade, Oliveira foi assassinado com 20 tiros na frente de sua casa, depois de voltar de um culto na cidade de Aparecida. Dois homens chegaram a pé e dispararam contra ele. A polícia, que passou a investigar o caso, ainda não apontou suspeitos.

Medo. Dayse e sua família começaram a se sentir ameaçadas. Em uma madrugada, jovens passaram na frente de sua casa gritando e imitando barulho de tiros. "A gente não sabe se é brincadeira de mau gosto ou se existe algum fundo de verdade", afirmou Dayse. Por precaução, a família decidiu se mudar. A viúva pediu transferência da igreja onde era pastora. Ela pediu para que o nome da nova cidade não seja revelado.

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