Quadro pode piorar, pois 14 entidades atuam em 60 prédios

Protestos podem ter dado início a uma união inédita entre os movimentos de moradia que ocupam as edificações do centro 

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2014 | 03h00

A tensão entre sem-teto e a PM tende a agravar-se com o apoio que os líderes das 60 ocupações da região central deram ontem às famílias retiradas de um prédio da Avenida São João. É um contingente hoje formado por 5 mil famílias que moram em edificações precárias e abandonadas há anos no centro, a maior parte delas invadida a partir de outubro de 2012.

Ao todo são 14 movimentos de sem-teto, com cerca de 55 mil filiados, que comandam as ocupações em prédios do centro. Muitos grupos que atuam na região, como o Território Livre e o Matilha Cultural, também apoiam e desenvolvem ações dentro dos prédios invadidos. Arquitetos da USP, atores do teatro alternativo, jornalistas e deputados do PT atuam na retaguarda dos movimentos, dando apoio intelectual e financeiro.

As entidades também ganharam musculatura política com a gestão Fernando Haddad (PT). O governo atual avalia que reformar prédios abandonados e destiná-los a famílias carentes é uma forma de revitalizar o centro da capital paulista. A organização e o apoio de outros sem-teto mostram que as bombas de gás utilizadas ontem pela Tropa de Choque podem, na verdade, ter dado início a uma união inédita entre os movimentos de moradia.

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