Quadrilhas organizadas atacam uma casa a cada 3 dias em SP

Estudo da Secretaria de Segurança Pública mostra que roubos a residências tornou-se um crime recorrente

Marcelo Godoy, de O Estado de São Paulo,

02 de setembro de 2009 | 08h16

A Secretaria da Segurança Pública fez um estudo sigiloso sobre os roubos a residências em São Paulo e concluiu que 223 (um em cada três dias, em média) podem ser considerados "sofisticados". Os dados foram reunidos pelas Polícias Civil e Militar e vão de 1º de janeiro de 2008 a 30 de junho deste ano. Para considerar um "roubo sofisticado", ele precisa ter como característica a invasão da casa ou prédio por mais de dois assaltantes, usando armas, disfarces ou outros métodos que indiquem um mínimo de organização.

 

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A Polícia Militar e a Coordenadoria de Análise de Planejamento (CAP) da secretaria dividiram esses roubos entre os praticados por quadrilhas organizadas e especializadas nesse tipo de delito (cerca de 35%) e aqueles feitos por grupos semiamadores, que migraram recentemente para essa atividade (65%). São crimes semelhantes aos registrados nos últimos dias nos Jardins e Alto de Pinheiros, como os roubos às casas dos secretários de Estado Guilherme Afif Domingos (Emprego e Relações de Trabalho) e Luiz Roberto Barradas (Saúde) e ao imóvel do filho do deputado estadual Antônio Salim Curiati.

 

Apurações feitas pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) mostram ter havido migração de ladrões de banco e de caixas eletrônicos para os roubos a residências. Isso e o crescimento nos casos de arrastão em condomínios no Estado - foram 36 neste ano, ante 7 em 2008 - levaram à decisão da Secretaria da Segurança Pública de criar uma delegacia especializada para apurar esses delitos.

 

Trata-se da 4ª Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, do Deic, que teve as atribuições redefinidas. Para chefiá-la foi designado o delegado Antônio Carlos Heib, que trabalhava na Divisão Antissequestro e foi um dos responsáveis pelas investigações que levaram à diminuição de mais de 50% do sequestros nos últimos três anos. "Estamos estudando os casos e reunindo provas", disse o delegado Waldomiro Pompiani Milanesi, que coordena as delegacias de crimes patrimoniais do Deic.

 

Enquanto a Polícia Civil busca pistas, a PM usa a estatística para planejar o patrulhamento das áreas mais afetadas. É aí que entra o estudo da CAP. Ele mostra que os ladrões mais organizados preferem atacar na zona sul, no eixo sudoeste e na zona oeste. Já os que aderiram recentemente a esse crime atacam sobretudo nas zonas sul e leste. Ambos preferem agir de terça a sexta-feira. O maior aumento de 2008 para 2009 se concentra nos assaltos menos sofisticados - de 25 casos para cerca de 120 crime. Os bandidos mais organizados agem mais de manhã enquanto que os semiamadores atacam mais à noite. Mais da metade das vítimas foi abordada na entrada de casa (121).

 

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse na terça-feira, 1º, não ter a intenção de reforçar o policiamento nas regiões dos Jardins e de Pinheiros às custas de outros bairros. "Eu fico preocupado com a segurança tanto das pessoas mais humildes, das periferias, quanto das autoridades do governo", disse.

 

*Colaborou Carolina Freitas

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