Denny Cesare/Código19
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Bando com fuzis invade Viracopos, rende funcionários e rouba US$ 5 mi

Quadrilha clonou veículo para driblar segurança; dinheiro era transportado para Suíça por empresa aérea alemã

Ivan Marcos Machado e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

05 Março 2018 | 09h09
Atualizado 06 Março 2018 | 19h26

CAMPINAS E SOROCABA - Mais um assalto cinematográfico entrou para a história dos grandes roubos em Campinas, no interior de São Paulo. Com um veículo clonado para driblar a segurança do Aeroporto Internacional de Viracopos, cinco homens armados com fuzis invadiram na noite deste domingo, 4, a pista de pouso, renderam funcionários e roubaram US$ 5 milhões - o equivalente a R$ 16,5 milhões - que eram transportados numa avião da empresa aérea alemã Lufthansa. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso.

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Segundo a Lufthansa, o ataque ocorreu a um avião que faria o voo de Viracopos para Dacar, no Senegal. O destino final seria Frankfurt, na Alemanha.  A PF investiga porque a carga de dólares estava fora do avião quando os criminosos chegaram.

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Um carro-forte da empresa de transporte de valores Brinks estava próxima do avião, mas não havia funcionário da companhia no local. A Brinks é detentora de um supercofre no aeroporto. Em nota, a empresa de valores disse que está à disposição para o esclarecimento dos fatos. A Lufthansa Cargo informou que “uma investigação preliminar está em curso” e “mais informações serão fornecidas após consulta às autoridades”. 

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Nesta segunda-feira, 5, a Receita Federal divulgou que a remessa de US$ 5 milhões foi declarada ao Banco Central e à própria Receita. No ato da declaração, é necessário comprovar a origem do dinheiro, o que foi feito. Em razão do sigilo bancário, o remetente do valor não foi informado. Em geral, a remessa de valores para o exterior é coberta por seguros.

Segundo versão apresentada pela PF, os assaltantes entraram na área de segurança do aeroporto após arrebentar o alambrado que cerca o terreno. A bordo de uma caminhonete Toyota Hillux falsificada - com cores e características da empresa de vigilância -, eles contornaram a pista de pouso e decolagem e se depararam com um veículo da segurança. Os dois ocupantes foram feitos reféns. No percurso até o Terminal de Cargas, onde estava pousado o avião cargueiro da empresa alemã, eles passaram por outros seguranças sem serem incomodados.

A ação durou seis minutos: os funcionários foram rendidos e o malote com os dólares foi colocado na caminhonete. Na saída, pela estrada de acesso ao bairro Ouro Verde, os criminosos trocaram de veículo e queimaram a caminhoneta sobre a pista para dificultar a perseguição. Todos fugiram.

Planejamento

Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o que surpreende neste caso é o planejamento, a capacidade de execução do crime. “Eles (os assaltantes) ficam cada vez mais especializados, e não há um combate efetivo ao crime organizado no Brasil”, diz. “Esse tipo de crime (em que os criminosos sabem onde está determinado objeto a ser roubado) é a chamada ‘fita dada’ no jargão policial. Provavelmente alguém de dentro avisou que havia essa quantidade de dinheiro e possibilitou que houvesse o planejamento. Se não tivermos um combate efetivo ao crime organizado, cada vez mais estaremos submetidos a esse tipo de coisa.”

Outros casos

Entre os grandes roubos recentes acontecidos em Campinas, outro também foi praticado em Viracopos. Em 2012, um grupo armado com pistolas e metralhadoras invadiu o aeroporto e roubou uma carga de iPhones e iPads avaliada em R$ 5 milhões. O grupo rendeu pelo menos oito funcionários e vigilantes do galpão TAM Cargo e fugiu.

Três anos depois, outra carga milionária foi roubada quando um veículo foi interceptado ao sair de Viracopos. Ao menos onze homens renderam motorista e a escolta, fugindo com a carga de iPhones avaliada em R$ 2,5 milhões.

Em outro grande roubo na maior cidade do interior, em 2014, uma quadrilha usou veículos de transporte de funcionários para invadir a fábrica da Samsung, levando ao menos R$ 14 milhões em celulares e eletrônicos. O bando armado rendeu cerca de cem funcionários no interior da fábrica, obrigando-os a carregar caminhões com as mercadorias. Parte da quadrilha foi presa.

Houve ainda um mega-assalto contra a sede da Protege, em 2016, quando uma quadrilha espalhou o terror pelo bairro São Bernardo, incendiando veículos e atacando o prédio com armas de guerra. A saraivada de tiros atingiu prédios vizinhos e manteve no chão, sem decolar, um helicóptero da PM. 

Na rota usada para a fuga, os criminosos incendiaram caminhões e carros para dificultar a perseguição. Cerca de R$ 50 milhões teriam sido levados pela quadrilha. Em março de 2015, a mesma empresa já havia sido invadida por assaltantes armados, que levaram R$ 7 milhões. / COLABOROU LUIZ FERNANDO TOLEDO

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