Quadrilha responsável por 'tribunal do crime' é presa em SP

Policiais do Deic e do DRRC encontraram cinco corpos em covas rasas na região de Cidade Tiradentes, que podem ter sido vítimas do julgamento

Ricardo Valota, do estadão.com.br

19 de outubro de 2010 | 03h06

SÃO PAULO - Uma investigação realizada durante 90 dias por agentes da Delegacia de Repressão a Roubo a Condomínios (DRRC), do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), terminou com a prisão de quatro integrantes de uma quadrilha, todos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável por um "tribunal" onde as vítimas são julgadas e executadas com requintes de crueldade.

Cinco corpos foram encontrados pelos policiais em covas rasas feitas na região de Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, após investigações que iniciaram em torno dos assaltos a condomínios, passaram pelo o tráfico de drogas e terminaram na descoberta do "tribunal" montado pelos criminosos. As vítimas eram divididas em quatro categorias: devedores, pedófilos, falsos profetas e 'os coisas'.

Todas as mortes eram decretadas depois de debates entre integrantes da facção que estão tanto fora quanto dentro de cadeias. Segundo a polícia, o "tribunal" consiste em prender os desafetos da quadrilha e em seguida executá-los. O refém tenta fazer a própria defesa enquanto um integrante do grupo prepara a cova. As mortes acontecem no local onde o corpo será enterrado.

Para não chamar atenção, os assassinatos são realizados com picareta e enforcamento utilizando fios. Os policiais identificaram um dos líderes, o funileiro Gilmar Magalhães Lima, o "Má", de 28 anos, mas ele continua foragido. O outro chefe é Marcel Andrade de Oliveira, o "Barata", que está preso. Também foram detidos Adriano Andrade do Nascimento, Lincoln Luiz da Silva e Alan Flávio Santos. O grupo foi detido entre final de setembro e o início deste mês em diversos bairros da zona leste.

O Instituto Médico Legal ainda tenta identificar as vítimas. Para o delegado Antonio Carlos, as investigações permitiram identificar os autores e os procedimentos adotados, mas também descobrir alguns códigos usados nos "tribunais", principalmente em relação as outras facções. "Falso profeta é integrante de uma facção, mas quer se passar como homem de outra. Coisa é integrante da facção rival", acrescentou o delegado.

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