WAGNER SOUZA/ FUTURA PRESS
WAGNER SOUZA/ FUTURA PRESS

Mulher feita de refém após assalto a Viracopos está na UTI

Vítima passou por cirurgia e estado 'inspira cuidados'; Polícia Federal diz que quadrilha tinha arsenal com armas de guerra

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 15h31
Atualizado 18 de outubro de 2019 | 23h30

SOROCABA - Uma mulher de 37 anos, que ficou refém de um criminoso durante o assalto ao aeroporto de Viracopos e foi ferida durante ação da Polícia Militar que matou o assaltante, está em estado que “inspira cuidados” em um hospital de Campinas. A vítima passou por uma cirurgia e continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde respira com a ajuda de aparelhos. Segundo nota desta sexta-feira, 18, divulgada pelo Hospital PUC- Campinas, “a paciente encontra-se estável, sedada , em ventilação mecânica e inspira cuidados”.

Familiares da vítima disseram que o estado dela é grave. A mulher, que não teve a identidade divulgada, foi rendida durante a fuga dos assaltantes, após o ataque ao terminal de cargas do aeroporto. Um dos criminosos invadiu a casa da família, no residencial Campina Verde, e a tomou como refém, com a filha de 10 meses no colo.

Após 2 horas de negociações com a PM, o criminoso foi alvejado na cabeça por um atirador de elite da polícia. A mulher também foi atingida e levada ao hospital, onde deu entrada às 14h32. O bebê saiu ileso.

Os policiais invadiram a casa e fizeram novos disparos contra o criminoso. De acordo com a PM, a refém teria sido atingida na região dos glúteos por estilhaços do tiro disparado pelo sniper (atirador de elite) que matou o criminoso. Aos familiares, o hospital informou que a mulher foi baleada na região lombar.

Um major da Polícia Militar, com posição de comando em Campinas, também ficou ferido no assalto. Ele foi baleado na perna e levado para o Hospital da Polícia Militar, onde passou por cirurgia na quinta-feira. Nesta sexta, ele continuava internado, mas estável e sem risco de morte.

Em nota, a PM informou que instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar todas as circunstâncias relativas à ocorrência, conforme determina resolução da Secretaria da Segurança Pública (SSP). O IPM é acompanhado pela Corregedoria . A reportagem entrou em contato com a SSP e aguarda retorno.

Quadrilha tinha arsenal

A quadrilha que invadiu o aeroporto de Viracopos para roubar um carregamento de dinheiro que seria levado de avião para a Inglaterra tinha um arsenal com armas de guerra. Conforme lista divulgada nesta sexta-feira, 19, pela Polícia Federal, foram apreendidas nove armas, entre elas fuzis de alta letalidade, e farta munição com os criminosos.

A PF acredita que cerca de 20 homens participaram da ação: três foram mortos em confronto com policiais militares. Houve ainda cinco feridos, três seguranças, além do policial e da refém. Parte das armas e munições estava no fundo falso de um caminhão de lixo, usado na fuga pelos bandidos.

Foram apreendidos dois fuzis AK 47, um fuzil calibre 5.56, um rifle artesanal calibre .50 com mira telescópica - arma capaz de derrubar um helicóptero -, três pistolas Glock calibre .40, dois revólveres, 13 carregadores, 16 estojos de munição, 423 munições diversas e um capacete balístico. A investigação não descarta que os criminosos que fugiram estivessem com outras armas. As buscas pelos suspeitos continuavam nesta sexta, mas a PF informou que o inquérito sobre o assalto está em sigilo.  

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai pedir informações à concessionária do Aeroporto de Viracopos sobre o assalto. De acordo com a agência, “sempre que ocorrem ações de interferência ilícita, é dever da Anac solicitar informações ao operador do aeroporto, visando verificar se todas as normas relacionadas à Segurança da Aviação Civil Contra Atos de Interferência Ilícita (Avsec) foram adotadas”. Ainda segundo a agência, esse procedimento é protocolar e gera um relatório que se torna objeto de análise pela agência para verificação de “eventuais medidas que não estejam em conformidade”. Não há prazo para o término da análise.

A concessionária informou queViracopos cumpre com todos os requisitos de segurança previstos no setor e o acionamento de todos os procedimentos ocorreu imediatamente à invasão dos dois veículos com os criminosos por um dos portões de segurança. Segundo a nota, todos os procedimentos de segurança foram aprovados pela Anac conforme o Programa de Segurança Aeroportuária apresentado pela concessionária. Informou ainda realizar simulações e exercícios anuais em parceria com as forças policiais.

Conforme a empresa, a Polícia Federal aprovou recentemente, por solicitação da concessionária e da Brink’s, o uso de armamento ostensivo na área do terminal de cargas, ainda que muito inferior ao usado pelos criminosos, o que contribuiu na reação ao crime. “Preocupa o posicionamento de alguns setores que, em vez de abordar a grave questão da segurança pública e do combate ao crime organizado, fez parecer que as empresas que sofreram ação criminosa são responsáveis por supostas falhas de segurança.”

No dia do assalto, quando esteve em Campinas para parabenizar a PM pelas ações contra os assaltantes, o governador João Doria (PSDB) cobrou mais segurança e ações preventivas nos aeroportos federais, como o de Viracopos. “Qual empresa consegue enfrentar quadrilhas de posse de armamentos pesados de guerra? Vale lembrar que, no período de um ano e meio, as áreas restritas dos três maiores aeroportos do Brasil (Galeão, Guarulhos e Viracopos) foram invadidas por criminosos fortemente armados, evidenciando que este é um problema nacional de segurança pública”, reagiu a concessionária.   

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.