HÉLVIO ROMERO/ESTADãO
HÉLVIO ROMERO/ESTADãO

Quadrilha usa corretora para invadir prédio e fazer arrastão nos Jardins

Os oito ladrões, que chegaram ao Edifício Itabiri em dois carros e utilizaram capuzes e coletes à prova de bala, trancaram funcionários na garagem e fizeram ameaças, mas ninguém se feriu. Ação durou 1h30 e bando levou gravação do circuito de segurança

Ana Paula Niederauer e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2019 | 09h14
Atualizado 26 de abril de 2019 | 11h27

SÃO PAULO - Após enganar uma corretora de imóveis e fingir interesse na compra de um apartamento em um prédio de alto padrão nos Jardins, na zona sul de São Paulo, uma quadrilha conseguiu invadir o edifício e roubar quatro apartamentos. No arrastão, nesta quarta-feira, os ladrões chegaram a trancar os funcionários na garagem e a ameaçar matar um animal de estimação. Ninguém se feriu. A  Polícia Civil tenta identificar os autores do crime.

Alvo do ataque, o Edifício Itabiri está localizado na Alameda Casa Branca, área nobre, e tem 12 apartamentos de 270 m² – um por andar. Segundo moradores, o prédio é bem equipado em segurança: conta com sistema de monitoramento e porteiros 24 horas. Em anúncios na internet, há unidades com valor de venda de R$ 4,5 milhões. 

Para driblar a segurança, os assaltantes entraram em contato com uma corretora de imóveis e agendaram horário para visitar o apartamento. Ao todo, a quadrilha era formada por oito criminosos, segundo investigação da Delegacia do Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), responsável pelo caso.

Por volta das 19h30, chegaram os primeiros assaltantes: um casal e um senhor, bem vestido, que encontraram com a corretora no lado de fora. Na guarita, ao ser solicitado que apresentassem documentos, anunciaram o roubo.

Em seguida, os bandidos abriram o portão da garagem e deram passagem para os outros cinco comparsas. Armado, o grupo dominou funcionários, que ficaram trancados na garagem. Os assaltantes subiram até o 8.º andar, invadiram o apartamento e fizeram os moradores de reféns. Na sequência, atacaram os apartamentos de 7.º, 6.º e 2.º andar e levaram joias, aparelhos eletrônicos e dinheiro – o arrastão durou cerca de 1h30, até a fuga do bando. Entre as vítimas, havia crianças.

A quadrilha saiu do local em dois veículos. Segundo a Polícia Militar, estavam de capuz e coletes à prova de bala. Também levaram gravação do circuito de segurança do condomínio.

Ao Estado, uma moradora afirmou que os bandidos eram violentos e faziam ameaças. Em um apartamento, chegaram a dizer que iriam atirar no cachorro de estimação. “A gente vê a violência todos os dias, mas nunca espera que aconteça tão perto.”

Crime em queda

Levantamento do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) aponta que os arrastões em condomínios em São Paulo estão em queda. Os registros saíram de um patamar de 60 casos, em 2004, para duas ocorrências em 2018.

Para o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios, Hubert Gebara, a garagem é o ponto mais sensível – por lá começam 80% das invasões. “O número de assaltos e arrastões caiu nos últimos anos. Mas não podemos relaxar. É preciso manter o estado de alerta”, disse.

“Depois de episódios de repercussão, o mercado se desenvolve para apresentar soluções, auxiliando o combate à violência”, diz Selma Migliori, da Associação Brasileira de Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirma que a delegacia especializada já prendeu 124 suspeitos desde 2017 e foram esclarecidas 52 ocorrências. “Neste ano, dos nove inquéritos instaurados sobre ataques a condomínios, sete já tiveram autoria esclarecida”, informou a pasta. / COLABORARAM MARCO ANTÔNIO CARVALHO e PAULA FELIX

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