QUADRILHA DESVIOU R$ 660 MILHÕES

Segundo o Ministério Público Estadual, após investigação que durou dois anos, quadrilha comandada pela ex-primeira-dama Rosely Nassim - mulher e chefe de gabinete do então prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) - agia dentro da prefeitura de Campinas. O grupo criminoso cobrava propina para liberar empreendimentos imobiliários e taxas de até 20% das empresas que venciam licitações na cidade desde 2005. Em seis anos, pelo menos R$ 660 milhões foram desviados da prefeitura, segundo os promotores. O casal nega a acusação.

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2011 | 03h02

Doze pessoas foram presas, acusadas de envolvimento no esquema de fraude, mas todas vão aguardar o julgamento dos processos em liberdade, incluindo Rosely.

Na esteira das denúncias, o prefeito Hélio de Oliveira Santos foi cassado pela Câmara Municipal em agosto. Em seu lugar assumiu o vice, Demétrio Villagra (PT), que já havia sido preso em maio, acusado de desviar verba da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), a empresa de saneamento de Campinas.

Na semana passada, a Câmara Municipal também afastou Villagra e uma CPI para investigar os contratos do governo foi aberta. Quem assumiu provisoriamente a prefeitura foi o presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT). Mas a qualquer momento Villagra pode ser reconduzido ao cargo pela Justiça.

Cenário desfavorável. Além da falta de verba em caixa, a instabilidade política afastou investimentos de empresários na cidade. A Huawei - gigante chinesa de tecnologia 3G, banda larga fixa e móvel e de infraestrutura de redes para operadoras de telefonia - previa aplicar US$ 300 milhões na construção de um centro de pesquisa em Campinas, onde possui uma unidade, mas com a crise adiou o início das obras.

No fim de junho, o vazamento de uma escuta telefônica mostrou o então prefeito Dr. Hélio fazendo lobby pela empresa chinesa antes da viagem da presidente Dilma Rousseff à China. Logo após a viagem foram anunciados os investimentos em Campinas, que agora estão congelados.

Briga pela prefeitura. Campinas ainda pode ter uma nova troca de prefeito até dezembro. O vice-prefeito afastado Demétrio Villagra tenta na Justiça ser reconduzido ao cargo.

"Não podemos tomar nenhuma decisão de rever os contratos ou de instaurar uma auditoria nos pagamentos até dezembro. Até lá, a Justiça ainda pode reconduzir o vice-prefeito ao cargo", admite Alcides Mamizuka, secretário chefe de gabinete do novo prefeito, Pedro Serafim (PDT).

Com experiência em outras gestões, Mamizuka diz que está "tentando consertar a balbúrdia que havia na prefeitura".

O novo secretário concorda que a população tem motivos para ficar indignada. "Infelizmente a cidade chegou a essa situação. Estamos sem dinheiro em caixa. Temos de trabalhar para reverter esse quadro dia e noite", completou.

Entre as medidas de economia que estão em estudo constam a suspensão de um concurso público para a contratação de 300 servidores públicos e a demissão de parte dos funcionários comissionados de toda a administração municipal. / D.Z.

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