Quadrilha cobrava até R$ 100 mil para fraudar Enem em Minas, diz polícia

Prova teria sido obtida em Barbacena, por meio de um fiscal, e gabarito era transmitido aos candidatos envolvidos no esquema por meio de mensagem de texto ou ponto eletrônico; PF admite possibilidade de ter ocorrido uma fraude pontual

Marcelo Portela e Florence do Couto Santos, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2013 | 02h02

A Polícia Civil mineira afirma que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também foi alvo da quadrilha que fraudava vestibulares de faculdades particulares de Medicina de Minas e do Rio. O caso foi encaminhado à Polícia Federal (PF) para que as investigações sejam aprofundadas, mas a polícia mineira já apurou que integrantes da quadrilha teriam vendido em Barbacena, no Campo das Vertentes, gabaritos com o resultado das provas do caderno amarelo por até R$ 100 mil.

A quadrilha foi desbaratada por meio da operação Hemostase, desencadeada no início de dezembro, com execução de 21 mandados de prisão preventiva de envolvidos nas fraudes de vestibulares de Medicina. Segundo o responsável pelas investigações, delegado Fernando Barbosa Lima, de Caratinga (MG), o suspeito apontado como chefe do grupo, José Cláudio de Oliveira, de 41 anos, também teria tido também acesso às provas do caderno amarelo.

Segundo Lima, um dos investigados combinou com os candidatos que ofereceria o gabarito do caderno amarelo nos dois dias de exame. Ele teve acesso às duas provas, provavelmente por meio de um fiscal. Na sequência, o investigado passou os cadernos para uma equipe de "pilotos" (forma como eram chamadas as pessoas que resolviam as questões). O gabarito era transmitido aos candidatos por mensagem de texto ou ponto eletrônico (veja abaixo).

Como são distribuídos dois tipos de prova (um caderno branco e outro amarelo), os candidatos que receberam o caderno branco também marcaram no gabarito que resolveram as questões da outra prova. A frase de segurança que constava na prova amarela também foi passada por meio eletrônico para que os candidatos pudessem anotar no gabarito.

Cancelamento. Para o delegado Paulo Henrique, da Polícia Federal, há indícios de terem ocorrido fraudes "pontuais" no Enem. Por meio de nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, informou que está "acompanhando" as investigações, mas que, segundo a PF, "não existe qualquer elemento que indique, mesmo de forma pontual, que qualquer candidato tenha sido beneficiado".

O órgão defende o rigor nas investigações, mas não respondeu sobre cancelamentos. O mais provável é que, comprovada a fraude, os candidatos sejam eliminados.

Homestase. A operação Hemostase já resultou no indiciamento de 36 pessoas por envolvimento nas fraudes de vestibulares particulares de Medicina. O nome se refere ao conjunto de procedimentos cirúrgicos para estancar uma hemorragia.

Os presos na operação poderão responder por associação criminosa, fraude de certames de interesse público, estelionato, falsificação de documentos públicos e de documentos particulares, falsidade ideológica, falsa identidade e lavagem de dinheiro.

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