Fernando Calzzani/Photopress
Fernando Calzzani/Photopress

Grupo ataca empresa de valores em Ribeirão Preto e mata policial

Caminhão e retroescavadeira foram usados para fechar ruas; 2,2 mil imóveis ficaram sem energia após tiros acertarem transformadores

Rene Moreira, Especial para o Estado

05 Julho 2016 | 09h24

FRANCA - Mais de 20 homens fortemente armados atacaram uma transportadora de valores de Ribeirão Preto, às 4 horas desta terça-feira, 5. Em vários carros, trocaram tiros com a polícia por mais de uma hora e na fuga mataram um policial rodoviário na Via Anhanguera. O caso se assemelha aos ataques a empresas de valores em Santos, no dia 4 de abril, e em Campinas, em 14 de março. Nas três ocorrências, os ataques foram cinematográficos, envolvendo explosivos, armas de guerra e tiroteio intenso.

O alvo desta terça-feira era a Prosegur de Ribeirão. A empresa não confirma, mas mais de R$ 50 milhões teriam sido levados, segundo estimativas iniciais.

A transportadora fica na Avenida Saudade, uma das principais da cidade. Os bandidos usaram caminhões e uma retroescavadeira para fechar os acessos, além de atirar contra os transformadores nos postes, deixando mais de 2,2 mil imóveis sem luz. 

Os bandidos, que usaram uma chácara na Anhanguera como base de operações, espalharam pregos por ruas estratégicas para evitar a aproximação das viaturas da polícia. E usaram explosivos e armas de uso restrito das Forças Armadas - fuzis 556 e 762 -, além de uma metralhadora ponto 50, capaz de derrubar helicóptero.

Vizinhos gravaram o ataque. “Foi uma coisa assustadora. A gente vê isso na televisão e não faz ideia que de perto é muito pior”, disse um comerciante, que pediu para não ser identificado. Os assaltantes mandavam que as pessoas que passavam se afastassem, se não quisesse morrer. “Vi metralhadora, fuzil e um monte de arma pesada”, afirmou Renan Marcos de Assis, de 20 anos.

Já o torneiro mecânico João Simão Fernandes, de 27 anos, vizinho da Prosegur, teve o telhado de casa destruído pelos escombros que voaram na explosão da parede da empresa. “O lustre do quarto desabou e por pouco não acertou minha cabeça. Machuquei a perna.”

Um explosivo foi deixado para trás na fuga e teve de ser detonado por uma equipe especial de São Paulo. A quadrilha incendiou um veículo para bloqueio.

Foi nesse momento que aconteceu a morte do cabo Tarcísio Wilker Gomes, de 43 anos. Ele foi atingido com um tiro na cabeça, na frente do posto da Polícia Rodoviária da Via Anhanguera, quando tentava pedir reforço pelo rádio. 

Semelhança. A polícia investiga a ligação com os casos de Santos e Campinas. Além do uso de armas semelhantes e com emprego de grande força de destruição, as ações aconteceram de madrugada e os criminosos fizeram muitos disparos de intimidação. Outro ponto em comum: os bandidos tentaram obstruir a perseguição policial, incendiando veículos ou espalhando pregos nas vias. 

No assalto à Prosegur de Santos houve três trocas de tiros e dois policiais foram mortos - uma bala perdida deixou outra vítima. Em Campinas, ninguém morreu, mas policiais chegaram a ficar acuados por tiros. 

Mágino: ‘Parecia um grupo paramilitar’

O secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, participou nesta terça-feira em Batatais (SP) do enterro do cabo Tarcísio Wilker Gomes, de 43 anos, da Polícia Rodoviária, morto no mega-assalto. E destacou a organização dos criminosos. “Parecia um grupo paramilitar.”

Segundo Mágino, o crime é assustador e “choca mais ainda pelo resultado”, referindo-se à morte do policial. Gomes estava na polícia havia 14 anos - 13 deles no patrulhamento rodoviário. Para o secretário, será “questão de honra” prender os envolvidos e equipes de São Paulo reforçam a investigação. “Todos os meios necessários serão empenhados.” /COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA 

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