Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

''Puxadinho'' e ''puxadões'' não vão acabar com o aperto em Cumbica

Obras aumentarão capacidade do aeroporto para 26,5 milhões de passageiros, mas movimento neste ano já deve chegar a 31 milhões

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2011 | 00h00

Mesmo com as obras de ampliação de R$ 86 milhões previstas para este ano, quem usa o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, não vai se livrar do aperto. A capacidade vai aumentar de 20,5 milhões para 26,5 milhões de passageiros por ano, mas estimativas da própria Infraero mostram que o aeroporto já deve fechar este ano com 31 milhões.

A ampliação será feita com um "puxadinho" (módulo provisório para passageiros em fase de construção) e dois "puxadões" (terminais remotos, que exigem que os passageiros tomem ônibus para chegar ao avião). Apenas o "puxadinho" e um dos "puxadões" vão ficar prontos até dezembro. O segundo "puxadão" será aberto só em dezembro do ano que vem.

Mas, ainda que o movimento de Cumbica ficasse estagnado, as novas estruturas não dariam conta da demanda: no ano passado, o aeroporto já recebeu 26,8 milhões de pessoas. As obras também não vão eliminar motivos que hoje causam dor de cabeça aos passageiros: falta de estacionamento, lentidão no embarque e espera no avião por falta de fingers (passarelas entre portões de embarque e aeronaves).

Construídos no meio do terminal de cargas, os "puxadões" ficam a 2 km do restante do aeroporto - em Madri e Londres, essa distância é vencida com trens de circulação interna. Em Cumbica, como os novos terminais serão remotos, o embarque deverá ser feito de ônibus até os aviões, sem fingers. O sistema não só aumenta o tempo de embarque como depende da organização da companhia. A Infraero afirma que o embarque também poderá ser feito "a pé".

Além das 2,9 mil atuais vagas de estacionamento, já insuficientes para a demanda, a Infraero só prevê adicionar 600 vagas nos "puxadões". Um novo estacionamento vertical, previsto para ser construído onde funciona o atual, ainda está em "estudo de viabilidade", segundo a estatal.

A comunicação entre os Terminais 1 e 2 e os remotos também será por meio de ônibus, o que dificulta a conexão em voos domésticos. Passageiros internacionais provavelmente não passarão por essa área, uma vez que não está prevista a estrutura necessária para alfândega e free shop. Segundo o Estado apurou, nem as companhias nacionais querem operar nos "puxadões" - além de reclamarem que eles ficam longe, as empresas avaliam que vão encarecer o custo operacional com transporte e pessoal.

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