Punks revivem festival que marcou época

Há 30 anos, maiores expoentes do movimento se reuniram em O Começo do Fim do Mundo

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

25 Março 2012 | 03h03

Há 30 anos, a Pompeia foi invadida por centenas de jovens com camisetas de banda, coturnos e jaqueta de couro. As correntes, os alfinetes, as tachas na jaqueta e o corte moicano confirmavam: eram os punks que chegavam. Se naquela época eles assustavam, hoje não botam medo em mais ninguém. Para celebrar as muitas conquistas do movimento, eles vão reviver um dos maiores festivais do Brasil.

O Fim do Mundo, Enfim será uma celebração dos 30 anos do festival O Começo do Fim do Mundo, realizado no Sesc Pompeia em 1982 como uma espécie de acordo de paz entre os punks paulistanos e os do ABC paulista que frequentemente protagonizavam cenas de pancadaria. Ambos reivindicavam o título de "punk mais punk".

O punk nasceu no Brasil em meados dos anos 1970. Um dos principais celeiros em São Paulo foi a Vila Carolina, zona norte - mais precisamente a Escola Estadual Tarcísio Alvares Lobo (EETAL), onde muitos dos que estiveram no festival estudaram.

Hélio Silva, que se apresentou com a banda Estado de Coma, é um dos ex-alunos da EETAL e assistiu aos primeiros shows de bandas como Condutores de Cadáveres, Inocentes e AI-5. "Eu era presidente do centro cívico e tinha de organizar o concurso de Rainha da Primavera. Em vez disso, chamei meus amigos punks para tocar no palco da escola."

Os anos passaram, ele virou consultor em tecnologia da informação e fotógrafo e foi morar em Mairiporã, do lado da Serra da Cantareira. Atualmente, Silva faz trabalho voluntário com o grupo de teatro da EETAL. "É uma peça punk, com uma história forte e texto contundente."

Clemente Nascimento, um dos ícones do movimento desde os anos 1970, também estudou na EETAL, mas observa as mudanças. "Ninguém mais sai quebrando tudo. Tem uma diferença entre um jovem cheio de vontade e um cara com quase 50 anos e três filhos." Separado, ele se divide entre os dois gêmeos que moram no litoral com a mãe e Mariana, de 24 anos, que "não é punk de marré marré, mas curte um coturno e um punk rock". Nascimento também é apresentador de um programa de rádio e discoteca em casas noturnas.

Ariel Uliana Junior, de 51 anos, presta serviços para uma empresa de engenharia. Ele também toca na banda Invasores de Cérebros. No ano que vem, vai comemorar 30 anos de uma linda família punk. Dois meses depois do festival, ele casou com Tina Ramos, uma das poucas mulheres do movimento. Viúva, ela trouxe Lery, hoje com 32 anos. Pouco depois veio Erik, de 26. Os quatro moram na Freguesia do Ó.

As brigas, cada vez mais frequentes nos anos 1980, afastaram alguns punks na época, incluindo Antonio Carlos Callegari, que organizou o festival de 1982 com o jornalista Antonio Bivar. Em 1983, afastou-se do punk, mas se orgulha de ter organizado um grande festival e com poucos recursos. Callegari é casado com uma metaleira, tem dois filhos e trabalha como consultor de TI.

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