Punks esfaqueiam músico que reclamou de pichação em Guarulhos

Vítima permanece internada na UTI; seis agressores foram detidos com soco inglês, faca e tesoura

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

09 Fevereiro 2011 | 03h28

SÃO PAULO - Um grupo de punks agrediu e esfaqueou o dono de uma escola de música que reclamou por eles terem pichado seu muro, em Guarulhos, na Grande SP, na noite de terça-feira, 8, por volta das 22h30. Walflan Henrique, de 37 anos, que também é músico, estava reformando o conservatório e a parede havia sido pintada há poucos dias. Ele foi cercado e levou chutes, socos e quatro facadas supostamente desferidas por uma garota de 17 anos, que atingiram suas costas, abdômen e cabeça. Seis punks, dos quais três adolescentes, foram detidos com soco inglês, faca e tesoura e o resto do bando fugiu. A vítima foi operada e permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Carlos Chagas.

 

Os presos se definiram como "punks anarquistas", disseram lutar contra a "repressão" e justificaram a agressão como uma defesa do "livre arbítrio" para escrever mensagens nos muros, segundo o guarda civil Alan Ribeiro, que os deteve. Os jovens também disseram que o Parque Renato Maia, bairro bem localizado de Guarulhos onde ocorreu o ataque, seria um "antro de nazistas", segundo o relato à Guarda Civil Municipal (GCM). O grupo pichou no muro "Era Punk", "Antifascista" e "Anticareca", em referência aos skinheads.

 

Walflan, proprietário do Instituto Música e Cia, na Rua João Marcelo Santoni, nº 29, estava no conservatório quando soube que um grupo de cerca de 15 jovens subia a rua "fazendo algazarras" e saiu da escola para observar, segundo Alexandre Miotello, 27 anos, guitarrista e professor de música. Ao ver seu muro pichado, a vítima disse que os punks "teriam que pagar" para pintá-lo novamente e foi cercado, jogado no chão e agredido.

 

Um dos vizinhos de Walflan, que preferiu não se identificar, correu em direção aos punks e conseguiu dispersá-los, além de imobilizar dois jovens e entregá-los à GCM. Segundo ele, as facadas foram desferidas pela garota de 17 anos. "Ela questionou um punk que não teve coragem de usar a faca, pegou a arma da mão dele e começou a golpear o Walflan", disse.

 

A vítima, natural de Manaus (AM) e formada em pedagogia, foi encaminhada ao Hospital Carlos Chagas por uma viatura da GCM e operada na madrugada desta quarta-feira, 9. Segundo sua mulher, Cristina, seu quadro é estável e Walflan permanece internado na UTI. "Ele perdeu muito sangue, agora os médicos vão analisar sua reação", disse. Dos seis punks levados à delegacia, três permanecerão detidos - um adulto e dois adolescentes. O crime foi registrado no 1º Distrito Policial de Guarulhos.

 

Texto atualizado às 7h10.

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