Sergio Neves/AE
Sergio Neves/AE

Público já pode ver as polêmicas da Bienal de perto

Mostra abre hoje, às 10 horas, com mais de 800 obras de 159 artistas. Entre elas, desenhos em que Lula e FHC são assassinados

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2010 | 00h00

Com a expectativa de receber até 12 de dezembro 1 milhão de visitantes, a 29.ª Bienal de São Paulo será aberta hoje para o público, às 10 horas, no pavilhão da instituição, no Parque do Ibirapuera. Sob o título Há Sempre Um Copo de Mar Para Um Homem Navegar, verso do poeta alagoano Jorge de Lima, esta edição tem ares de grandiosidade ao reunir mais de 800 obras de 159 artistas nacionais e estrangeiros.

O tema da 29.ª Bienal, com curadoria geral de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, é a relação entre arte e política. A mostra transforma-se em um labirinto para o visitante. Do lado de fora do prédio há apenas duas obras: a da escocesa Susan Philipsz, que fez uma instalação sonora na marquise, e a do cubano Wilfredo Prieto, que colocou bandeiras de nações em branco e preto na lateral do pavilhão.

A inauguração oficial ocorre às 10h30, com a presença do governador Alberto Goldman, do prefeito Gilberto Kassab e do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Ainda nas atividades da abertura, o público poderá participar da reencenação do trabalho Divisor (1968), da artista Lygia Pape (1927-2004) - cerca de 200 pessoas colocarão a cabeça em buracos de um gigantesco tecido na marquise. Durante o dia, outras atividades estão programadas.

Esta edição tem como característica promover, além da mostra tradicional, apresentações, performances e exibições de filmes, entre outros eventos, em espaços especiais chamados de terreiros no pavilhão.

Polêmicas. Antes mesmo de ser aberta para o público, a 29.ª Bienal de São Paulo, orçada em quase R$ 30 milhões, despertou polêmicas. No dia 17, a Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, pediu a retirada dos desenhos do artista pernambucano Gil Vicente que, segundo o órgão, fazem "apologia ao crime". Na série Inimigos, ele se retrata matando líderes e personalidades políticas e religiosas, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o papa Bento XVI. A instituição manteve a obra.

Na quarta-feira, para não infringir a legislação eleitoral, a Bienal cobriu os grandes retratos dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), que eram parte da instalação A Alma Nunca Pensa Sem Imagem, do argentino Roberto Jacoby.

Ambientalistas e órgãos de defesa dos animais mostraram preocupação com os três urubus que integram a obra Bandeira Branca, de Nuno Ramos. O artista, porém, recebeu autorização para mantê-los na mostra.

PROGRAME-SE PARA O FIM DE SEMANA

Hoje

Divisor: reencenação de performance de Lygia Pape, de 1968. Na marquise, às 11h.

Fogueira de Gelo: performance do artista Paulo Bruscky. Na entrada da Bienal, às 11h.

Balé da Cidade de São Paulo com o Quarteto de Cordas. No térreo, às 11h e às 13h.

Palestra com o artista mexicano José Antonio Vega Macotela. No 2º andar, às 14h.

Filmes de Trinh T. Minh-ha; Manthia Diawara; e Maya Da-Rin. No 3º andar, às 15h.

Palestra com o americano Joseph Kosuth. 2º andar, às 16h.

Amanhã

Debate com Jean Plantu e Chico Caruso. 2º andar, às 13h.

Performance do Teatro Oficina, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, a partir de O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho. No térreo, às 14h.

Filmes de Boris Groys, Danièle Huillet e Jean-Marie Straub, e Andrei Ujica. 3º andar, às 15h.

Performance do artista português Pedro Barateiro. No 2º andar, às 17h30.

Serviço

29ª BIENAL DE SÃO PAULO. PAVILHÃO DA BIENAL. PARQUE DO IBIRAPUERA. AV. PEDRO ÁLVARES CABRAL, S/Nº, PORTÃO 3. TELEFONE: (11) 5576-7600. HORÁRIO: DAS 9H ÀS 18H, DE SEGUNDA A QUARTA E DE SÁBADO E DOMINGO; DAS 9H ÀS 21H, ÀS QUINTAS E SEXTAS. ATÉ 12 DE DEZEMBRO. GRÁTIS.

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