Público da Parada Gay de SP se transforma em guerra de números

Organização fala em 4,5 milhões, mas instituto de pesquisa apura 270 mil. Metrô diz que 72 mil passaram por estações

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 03h07

A estimativa de público da Parada Gay de São Paulo deste ano, realizada anteontem na Avenida Paulista, virou guerra de números - e bem desencontrados. A entidade que organiza o evento informou ontem que 4,5 milhões de pessoas participaram, entre 12h e 18h. O total é 16,6 vezes maior que o estimado pelo Datafolha Instituto de Pesquisas, que calculou 270 mil participantes. Ontem, o Metrô também divulgou que, das 11 às 19 horas, 72 mil pessoas cruzaram as catracas das estações da Linha 2-Verde, que servem a região.

"Para mim, essa é uma estimativa bastante equivocada", afirmou Fernando Quaresma, presidente da Parada, referindo-se à contagem do Datafolha. Sua justificativa é que, de cima do trio elétrico, ele conseguia ver "a Paulista e a Consolação repletas de gente". De acordo com o Datafolha, porém, só 65 mil pessoas teriam realizado todo o percurso da Parada.

No domingo, a organização havia se recusado a divulgar qualquer número e afirmado que não faria nenhuma estimativa neste ano. Ontem, o posicionamento mudou e, para justificar o número estimado por Quaresma, a entidade informou que, além da Paulista, costuma contabilizar os participantes que estão em vias próximas, como as Ruas Vergueiro, Frei Caneca e Maria Antonia. "Para nós, o importante é ter a Paulista repleta de pessoas clamando por cidadania", disse Quaresma.

A Polícia Militar não divulgou estimativa de público. Informou apenas que deixaria a informação a cargo da organização e não contestaria o Datafolha. "Havia bem menos gente do que no ano passado (4 milhões, de acordo com organizadores)", palpitou coronel Marcelo Prado. Desde 2006, quando chegou a 2,5 milhões de pessoas, a Parada Gay de São Paulo é considerada a maior do mundo. / COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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