Publicitário morto por policiais estava bêbado

O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) constatou álcool no sangue do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, que morreu aos 39 anos, em 18 de julho, na zona oeste, durante uma abordagem da Polícia Militar. O exame constatou 1,5 grama de álcool por litro de sangue. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), qualquer quantidade acima de 0,6g/l é crime.

O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h02

Os policiais alegaram que o publicitário fugiu e que atiraram por confundir o celular dele com uma arma. Eles também teriam encontrado maconha no carro. O cabo Adriano Costa da Silva, de 26 anos, e os soldados Robson Tadeu do Nascimento Paulino, de 30, e Luís Gustavo Teixeira Garcia, de 27, chegaram a ser detidos e, depois, soltos para responder em liberdade.

"Isso não faz diferença. Se a PM matar todo mundo que dirigir alcoolizado, vai faltar cemitério", diz o advogado da família de Aquino, Cid Vieira. Ele ressaltou ainda que o laudo não constatou presença de maconha no sangue do publicitário. "Os PMs serão acusados por fraude processual, porque eles podem ter plantado maconha no carro", diz.

O advogado dos PMs, Aryldo de Paula, diz que o exame muda "completamente" a situação. "A família entende que Aquino não teria motivos para fugir. Com essa dosagem alcoólica, isso configura crime de trânsito, que dá suspensão da habilitação", diz. Ele também nega que tenha havido fraude processual. "A vítima morreu no dia 18. O material para análise no IML chegou no dia 23. Foram quatro dias, quando o princípio ativo da maconha só dura quatro horas no organismo", afirma. /ARTUR RODRIGUES

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