Publicitário morre atropelado e polícia endurece BOs

Todo acidente de trânsito será agora registrado em apenas 9 dos 93 DPs; filho de dono da Talent foi atingido por moto na 9 de Julho

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

Um motociclista matou o publicitário Rubens César Ribeiro, de 50 anos. Filho de Júlio Ribeiro, fundador da agência Talent, Rubens atravessava a Avenida 9 de Julho, no Itaim-Bibi, na zona sul de São Paulo, quando foi atropelado. Eram 22h30 de quarta-feira.

O acidente aconteceu no mesmo dia em que a Polícia Civil determinou que todos os crimes de trânsito na capital sejam registrados nas centrais de flagrante. O objetivo é padronizar o atendimento dos casos, prendendo em flagrante sob a acusação de homicídio por dolo eventual motoristas que estiverem embriagados, em alta velocidade, sem habilitação ou envolvidos em racha.

Acusado de ter atropelado e matado o publicitário, o atendente Rogério Pereira de Jesus, de 27 anos, não foi autuado em flagrante. Isso porque o delegado Luiz Romani de Oliveira, do 14.º Distrito Policial (Pinheiros), foi até o local do acidente e constatou que Rubens havia atravessado fora da faixa de pedestre "em local de baixa iluminação". Além disso, o delegado constatou que o motociclista não "apresentava sinais de embriaguez". Rogério ficou ferido no acidente e foi levado por uma ambulância para o Hospital das Clínicas.

O publicitário chegou a ser levado para o mesmo hospital. Ele havia saído naquela noite com o amigo e também publicitário Ricardo de Lemos Migliari, de 56 anos. Os dois foram a um bar na Rua Amauri, onde ficaram por duas horas. Migliari, que se tornou a principal testemunha do caso, contou à polícia que ele e o amigo atravessavam a avenida quando a moto apareceu. Rubens foi vice-presidente da agência. Ele foi enterrado ontem, no Cemitério do Morumbi.

O caso de Rubens não foi registrado em uma central de flagrante porque, apesar de publicada na quarta-feira, a portaria sobre a questão só vale a partir de hoje. Há nove centrais na capital: 89.º DP (Morumbi), 91.º DP (Ceasa), 26.º DP (Sacomã), 20.º DP (Água Fria), 31.º DP (Carrão), 101.º DP (Jardim das Imbuias), 63.º DP (Vila Jacuí), 8.º DP (Brás) e 49.º DP (São Mateus).

"Até onde for possível, queremos padronizar a forma de registro, as providências de Polícia Judiciária", afirmou o delegado Carlos José Paschoal de Toledo, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Hoje, a decisão de prender ou não um motorista que matou alguém ao dirigir embriagado fica a cargo do delegado de plantão de cada uma das 93 delegacias da cidade. Em dois casos recentes, motoristas não foram presos pela polícia, o que levou a direção do Decap a procurar acabar com o tratamento diferente dos casos nas delegacias.

Toledo baseou sua decisão no caso do engenheiro Marcelo Malvio Alves de Lima, de 36 anos, que foi preso depois que bateu seu Porsche a 150 km/h no Itaim-Bibi, matando a advogada Carolina Menezes Cintra Santos, de 28. Ele foi preso pela polícia e só foi solto depois de pagar fiança de R$ 300 mil.

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