PSOL reconhece erro em não condenar extremistas

O PSOL saiu ontem em defesa do deputado estadual Marcelo Freixo, que emprega em seu gabinete um assessor que também atua na defesa de presos em protestos, mas reconheceu o erro do partido ao não condenar com veemência os grupos radicais responsáveis por depredações e uso de explosivos, como o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade.

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2014 | 02h02

Na autocrítica, líderes do PSOL do Rio disseram que o partido devia ter ido além do repúdio genérico à violência. "Nunca dialogamos ou fizemos acordo com grupo minoritário e de orientação anarquista como os black blocs. Discordamos da tática e desconhecemos a estratégia. Temos de demarcar com mais nitidez essas posições", disse o deputado federal Chico Alencar. Para o parlamentar, um possível efeito eleitoral negativo "é o que menos importa nesse momento", mas a morte do cinegrafista "deve levar a uma reflexão geral".

Freixo também diz que a crítica deve ser veemente. "Houve uma escalada da violência de todos os lados, do Estado e de parte dos manifestantes. Isso trouxe enorme prejuízo para a democracia, afastou as massas e o debate ficou secundário."

A revelação de que um assessor de Freixo, Thiago de Souza Melo, diretor executivo do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos, atua na defesa de presos nos protestos, foi mais um fator de desgaste do PSOL. O deputado reagiu e negou que seu gabinete ofereça ajuda jurídica a manifestantes. "Thiago me atende no plenário, é um advogado muito competente. Fora do mandato, ele atua onde quiser", afirmou Freixo.

No fim de semana, o deputado já tinha sido vinculado ao caso do cinegrafista pelo advogado Jonas Tadeu Nunes, defensor do tatuador Fábio Raposo, que confessou ter entregue a outro manifestante o rojão que atingiu Andrade. Nunes disse ter ouvido da manifestantes que os responsáveis pelo ataque ao cinegrafista eram ligados a Freixo. O deputado negou vínculo com os acusados.

Ontem, a ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, prestou depoimento à polícia no procedimento criado para investigar a suposta oferta que teria feito em nome de Freixo a Nunes para auxiliá-lo na defesa do tatuador. Após deixar a delegacia, quando lhe foi perguntado sobre o envolvimento de Freixo na suposta oferta de ajuda, Sininho disse apenas que "está tudo esclarecido".

CPI. O PSOL tem sido presença frequente nas manifestações, o que é estimulado pelos líderes como o ex-deputado Milton Temer, desde que sem envolvimento em atos violentos.

Na Assembleia, o deputado Bernardo Rossi (PMDB) conseguiu ontem as 24 assinaturas necessárias para criação da CPI do Vandalismo. Rossi disse que o foco será a atuação dos grupos violentos, mas disse que o trabalho do assessor parlamentar de Freixo também será apurado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.