Psiquiatra é morto dentro de casa na Vila Clementino

Ele morava em SP havia uma semana; vizinhos disseram não ter ouvido nada e local não tinha sinais de arrombamento

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2012 | 03h05

O médico psiquiatra Alexandre de Paiva Nery, de 30 anos, estava em São Paulo havia uma semana. Recém-formado, tinha acabado de se mudar do ABC para a cidade, em busca de um sonho: trabalhar em hospitais da região da Vila Clementino, zona sul da capital. Na tarde de quarta-feira, Nery foi encontrado morto no apartamento que ainda decorava na Rua Doutor Pinto Ferreira, na Vila Mariana.

A vítima foi achada pelo zelador, que o encontrou sobre a cama, de camiseta e cueca e com um saco plástico azul na cabeça. O assassino ainda amarrou uma fita isolante no pescoço de Nery, que, segundo a polícia, morreu asfixiado.

Por volta de 15h30 de anteontem, o zelador Jorginei Pereira recebeu várias ligações da família do médico - parentes estavam preocupados por ele não atender o celular. Ao chegar ao apartamento, encontrou a porta aberta - e sem sinais de arrombamento. A vítima estava morta no quarto. Logo na sequência, a PM foi avisada.

O crime chocou os moradores do Edifício Generation. Quem mora ali diz nunca ter ouvido falar de casos de violência no condomínio. O prédio não tem câmeras de segurança, mas é vigiado 24 horas por dois funcionários. Vizinhos relataram aos investigadores que não ouviram gritos nem pedidos de socorro.

O carro do médico não foi levado e nada da casa foi roubado. Segundo a polícia, um dia antes de morrer, Nery teria combinado com o zelador do edifício a instalação de gás de cozinha, o que acabou não sendo feito.

No boletim de ocorrência registrado no 16.º Distrito Policial (Vila Clementino), parentes afirmaram que o médico era homossexual, mas não souberam dizer se ele estaria tendo algum envolvimento sério.

A irmã de Nery, uma médica de 34 anos, declarou que a vítima era uma pessoa calma e de "ótimo comportamento".

Em uma de suas últimas declarações em uma página de relacionamento da internet, o psiquiatra falou sobre sua formatura em Medicina e recebeu vários parabéns de amigos e da família. Ele também mostrava apreço por animais de estimação - mantinha dois gatos no apartamento.

Homicídio. O caso foi registrado pela polícia como homicídio doloso (com intenção) e será apurado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O psiquiatra foi enterrado ontem em Goiânia, cidade onde nasceu.

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