Leonardo Soares/AAE
Leonardo Soares/AAE

Psicólogo recorre, ganha tempo e mantém CNH

'Vou até onde der para não ter minha carteira suspensa e me livrar da condenação', disse

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 03h00

No fim da tarde desta terça-feira, 4, um psicólogo de 28 anos, que preferiu não ter o nome divulgado, recebeu uma notificação do Detran em sua casa em Perdizes, na zona oeste da capital. O documento informava que o primeiro pedido de recurso contra a infração administrativa de dirigir embriagado havia sido indeferido e que a sua CNH estava suspensa. Nesta quarta-feira, ele diz que vai elaborar nova defesa para recorrer na segunda instância e ainda tentar o reembolso da multa que já pagou. 

“Vou até onde der para não ter minha carteira suspensa e me livrar da condenação”, explicou. Com isso, o motorista pretende ganhar tempo para viajar de carro no fim do ano, sem correr o risco de ser parado pela polícia. O psicólogo foi flagrado em uma blitz da Polícia Militar na Avenida Paulista, em janeiro deste ano. 

“Eu havia bebido só uma lata de cerveja e fiquei tranquilo, porque achei que não fosse acontecer nada caso fosse parado pela PM. Mas, na hora em que me disseram que eu poderia sair de lá no porta-malas de uma viatura direto para uma delegacia, me recusei a fazer o teste do bafômetro.” Automaticamente, recebeu uma infração administrativa das mãos do policial. Ele disse que já tinha bebido outras vezes antes de dirigir, mas que sempre achava um jeito de driblar a fiscalização.

“Eu usava aplicativos de celular que diziam os pontos da cidade em que havia bloqueio da Polícia Militar. Acabava cortando caminho por dentro dos bairros, fugindo de avenidas grandes e escapava de viaturas.” 

No dia em que foi autuado, a Carteira Nacional de Habilitação dele foi apreendida. Um amigo foi buscar o carro na Avenida Paulista. Cinco dias depois, o psicólogo foi até o batalhão da polícia responsável pelo bloqueio e pegou o documento de volta. 

Ele diz ter se arrependido e tem procurado usar os serviços da Uber, táxis ou o transporte público quando vai beber. Em média, ele ingere bebidas alcoólicas quatro vezes por semana. “Como deu errado, acho que é bom ficar cauteloso.”

Além dele, o psicólogo conta que seus amigos também ficaram cautelosos, pois se assustaram com o que aconteceu. “Eles também ficaram preocupados e começaram a mudar o comportamento. Mas incomoda saber que eu posso perder a minha carteira porque tomei só uma lata de cerveja. Eu não estava bêbado, bebi socialmente”, afirmou. 

Ele acredita que a lei é muito rígida ao impor tolerância zero. “Quem bebe pouco acaba pagando por quem dirige bêbado e mata pessoas no trânsito.” Por fim, ele afirma que, “diante do contexto da falta de transporte público durante as madrugadas”, a lei é muito dura.

Tudo o que sabemos sobre:
São PauloDetranCNH

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.