Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Psicanalista é baleada em assalto nos Jardins

Lia Capasso seguia em direção a seu BMW blindado quando foi abordada por um ladrão e ferida no rosto. Minutos depois, ele foi morto por policiais da Rota

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

A psicanalista Lia Leite Capasso, de 53 anos, foi baleada na tarde de ontem durante uma tentativa de assalto nos Jardins, zona sul de São Paulo. Ela foi atingida com um tiro à queima-roupa no rosto, mas não corre risco de morte. O criminoso chegou a levar seu relógio e a fugir mas, após troca de tiros, foi morto por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).

O crime aconteceu na altura do número 550 da Rua Melo Alves, via movimentada e repleta de seguranças, por volta das 14h05. Lia tinha acabado de almoçar no bistrô Amsterdan, na mesma rua, e seguia em direção a seu carro, um BMW 325 i blindado, quando foi abordada por Vagner da Silva Bezerra, de 26 anos - que, segundo a polícia, estava "bem vestido".

Ao ser abordada, ela começou a gritar por socorro. Bezerra, então, a segurou pelo braço e, ao lado do carro, apontou o revólver calibre 38 para o seu rosto e atirou. A bala entrou pela boca e saiu pela bochecha esquerda da psicanalista. O cartão de zona azul no BMW indica que Lia chegou ao local (ela almoçava com frequência no bistrô) às 13h30.

"Ela caiu e ele continuou segurando pelo braço. Ele gritava "dá o relógio, dá o relógio". Com ela no chão, ele arrancou o relógio e saiu correndo. A bolsa e o carro ficaram lá", contou o motoboy Bruno Alves de Oliveira Rampazzo, de 26 anos.

Rampazzo faria uma entrega na mesma rua e viu toda a cena. "Pensei que era uma briga de casal. Diminui a velocidade e percebi que ele estava armado. Quando parei, a dois metros dos dois, vi ele atirando", disse. "Ele me olhou e saiu correndo."

Com os gritos e o barulho do disparo, alguns vizinhos chamaram a polícia e, com Rampazzo, ajudaram a psicanalista. "Escutei os gritos e o tiro. Olhei da janela e ele ainda estava em cima dela. Peguei o telefone, mas fiquei tão apavorada que nem consegui chamar a polícia. Minha patroa foi quem ligou", disse a doméstica Maria Vania Cunha, de 41 anos, que trabalha no 2.º andar do prédio na frente do qual o carro de Lia estava estacionado. "Ela sangrava muito e estava com o celular na mão."

Fuga e tiroteio. Quando Maria desceu à rua para auxiliar a vítima, o criminoso já havia corrido. Bezerra desceu a Melo Alves e dobrou à direita na Rua Chabad. Três seguranças das lojas vizinhas correram atrás dele.

Bezerra correu por cerca de 170 metros e entrou em um estacionamento para se esconder. "Ele foi para o fundo e gritou para que eu não avisasse ninguém. Em menos de cinco minutos, a polícia já chegou", relatou o manobrista Joilson Souza Santos, de 29 anos.

Uma viatura da Polícia Militar resgatou Lia, levando-a ao Hospital das Clínicas. Mais tarde, ela foi transferida para o Hospital Albert Einstein.

Uma viatura da Rota, que fazia ronda no bairro, encurralou o criminoso no estacionamento. "Fomos recebidos por tiros e revidamos. Ele foi atingido e morreu no HC", disse o tenente Antonio Emanuel Andrada e Silva.

Bezerra levou cinco tiros. Segundo os policiais, o criminoso fez três disparos contra eles. Em seu bolso teria sido encontrado o relógio Rolex.

O crime mobilizou a rua e assustou moradores. "É uma região muito visada. Não foi uma coincidência dois casos em menos de dois meses (leia quadro)", disse o produtor Paulo Chamlian, de 28 anos, que mora na frente do local do crime.

PARA LEMBRAR

Rua teve outra morte em maio

No dia 3 de maio, um assalto seguido de tiroteio também na Rua Melo Alves terminou com a morte do criminoso Filipe Pio da Silva, de 21 anos. O crime também ocorreu à luz do dia.

O criminoso abordou uma aposentada e duas filhas quando entravam em uma loja de artigos para bebês. Um policial à paisana tentou impedir o assalto e a aposentada foi feita refém e usada como escudo. Houve troca de tiros e, na tentativa de fuga, Silva foi baleado. Um comparsa conseguiu fugir.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.