Próximo beato também será de Minas

Padre Francisco de Paula Victor, de Três Pontas, já teve virtudes heroicas reconhecidas pelo Vaticano e só falta a provação de milagre

José Maria Mayrink, enviado especial, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2013 | 02h07

JUm dos próximos beatos brasileiros deverá ser o padre Francisco de Paula Victor, negro e descendente de escravos como Nhá Chica, beatificada na tarde deste sábado em Baependi, onde viveu mais de 70 anos. Mineiro de Três Pontas, padre Victor nasceu em 1827 e morreu em 1905. Seu processo de beatificação começou junto com o de Nhá Chica, em 1992. O Vaticano já reconheceu suas virtudes heroicas, o que lhe valeu o título de venerável.

"Falta agora a aprovação de um milagre", disse o postulador da causa, o advogado italiano Paolo Vilotta, que chegou a Caxambu, cidade a seis quilômetros de Baependi, em companhia do cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, que veio de Roma para presidir a cerimônia de beatificação.

O bispo d. Diamantino Prata de Carvalho, da Diocese de Campanha, a qual pertencem as cidades de Baependi e de Três Pontas, está entusiasmado com a possibilidade de poder contar em breve com dois santos na região. "É muito bom para o sul de Minas e para todo o Brasil", comentou em Caxambu, após ter desembarcado com o cardeal Amato em Caxambu.

Sobre as expectativas de políticos e comerciantes que preveem um crescimento do turismo nas cidades do Circuito das Águas, que inclui também São Lourenço, Campanha, Cambuquira e Lambari, d. Diamantino admite que a situação vai melhorar. "Aliás, o progresso já começou, basta ver como as estradas foram recuperadas", brincou.

Baependi deverá entrar, com a beata Nhá Chica, no roteiro religioso de Aparecida e Guaratinguetá, cidades respectivamente do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, que ficam a 140 km de distância. "Não se pode comparar com Aparecida, nem queremos isso, mas com certeza Nhá Chica vai atrair muitos devotos", disse d. Diamantino.

Entusiasmo. As ruas de Baependi, de cerca de 19 mil habitantes, foram enfeitadas de amarelo e branco, cores da Santa Sé, com bandeirolas, faixas e cartazes. Milhares de devotos chegaram de outras cidades. O centro foi fechado, com acesso para veículos cadastrados.

A Igreja preparou os fiéis para a beatificação com uma vigília de orações, depois de uma procissão, na véspera à noite, pelas ruas centrais. Foi uma procissão solene na qual d. Diamantino levou o Santíssimo Sacramento (a hóstia consagrada), desde o Santuário de Nhá Chica até a matriz.

Até o pontificado de João Paulo II, as beatificações eram feitas pelo papa, geralmente em Roma. O papa continua fazendo as canonizações. O beato é considerado santo, com a diferença de que tem direito a uma veneração restrita a lugares onde viveu. Os santos canonizados podem ser cultuados universalmente pelos católicos.

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