Provas incriminam PCC por morte de PM, diz delegado

Marcola e outros 19 réus prestaram depoimento sobre ataques da facção em SP em maio de 2006

TATIANA FÁVARO,

19 de outubro de 2007 | 21h22

As polícias Militar e Civil de Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo, trabalharam nesta sexta-feira no maior esquema já visto na cidade, por causa da audiência de processo em que 19 réus são acusados de participação na morte do policial militar Nelson Pinto no município, em maio de 2006, durante os ataques atribuídos à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em todo o Estado de São Paulo. O assaltante de bancos e líder do PCC, Marcos Camacho, o Marcola, foi levado da penitenciária de Presidente Venceslau, a 620 quilômetros da capital paulista, para Jundiaí. Chegou por volta de 10 horas no primeiro comboio da polícia para levar réus presos à audiência no interior do Estado.O delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Jundiaí, Fernando Bardi, que presidiu inquérito sobre a morte do policial militar, afirmou que não só existem provas da ligação do PCC com o assassinato, como há "fortes indícios". "Se não houvessem provas, ninguém teria sido preso e ninguém estaria aqui hoje", disse.  Segundo informou o capitão da Polícia Militar (PM) que comandou uma das equipes no centro de Jundiaí, Rogério Pedroso, no mesmo grupo estava Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, outro líder da facção. A polícia não divulgou o número de homens nas ruas, mas ao menos 150 pessoas - entre policiais e funcionários da Justiça - se mobilizaram para receber 14 dos 19 réus que estiveram presentes na audiência. Segundo informou o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por meio de assessoria, cinco dos 19 réus estão foragidos e, dos 14 presentes, 12 são detentos e dois respondem o processo em liberdade. Além dos 14 réus, participaram da audiência oito testemunhas de acusação, a maioria policiais. A audiência realizada ontem em Jundiaí mudou a rotina do município. O movimento de consumidores nas lojas do Centro, onde fica o Fórum, caiu.A sede local do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que recebe aproximadamente 500 beneficiários por dia, ficou fechada. A Escola Estadual Conde do Parnaíba, ao lado do Fórum, não teve aulas. A direção dispensou seus cerca de 700 alunos, por segurança, segundo informação da Secretaria de Estado da Educação. O Fórum teve expediente restrito.  Expectativa  Os réus já tinham sido ouvidos por videoconferência ou carta-precatória e poderiam ser ouvidos novamente ontem, pessoalmente. Até as 19h30 de ontem a audiência não havia terminado e Justiça não havia informado quantos réus tinham prestado novo depoimento.  Entre os réus estavam Sérgio Eduardo Castro, o Cabelinho, condenado na quinta-feira a oito anos de prisão em outra audiência, e Marcos Antônio Roque, o Fião. Ambos são apontados pela polícia como os principais suspeitos pela morte do policial militar em Jundiaí. Segundo informou a advogada Aparecida Simone Widmer, advogada de Fião, seu cliente preferiu dar novo depoimento à Justiça, embora já tivesse sido ouvido. "Ele (Fião) falou novamente, olho no olho, e negou participação na morte. Ele preferiu ser reouvido, para evitar o cerceamento de defesa", disse. De acordo com a advogada, nem Marcola, acusado de ser o mandante do crime, nem Julinho Carambola quiseram prestar depoimento.O advogado Airton Bicudo, que defende Marcola desde maio de 2006, disse acreditar na absolvição de seu cliente nesse processo. "Ele deve ser absolvido neste caso, porque as provas são fracas, se é que existem. A única coisa que tem é uma intercepção telefônica, de uma pessoa não identificada, falando que há opressão no sistema", afirmou Bicudo.  O advogado disse ainda desconhecer qualquer estatuto do PCC e afirmou que Marcola não é chefe nem líder de nenhuma facção. "O sistema prisional tem 140 mil presos e milhares de quadrilhas. Como um único homem sob custódia do Estado poderia mandar nas coisas aqui fora?"  Uma nova audiência deverá ser marcada para a Justiça tomar os depoimentos das testemunhas de defesa.

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