Prova técnica será decisiva no júri do caso Isabella

Sem testemunhas ou confissão, depoimentos e perícia serão a base da acusação e da defesa[br]a partir de amanhã

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

21 Março 2010 | 00h00

Laudos e depoimentos de peritos decidirão o destino do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. É em torno da chamada "prova técnica" que se dará a disputa entre a defesa e a acusação no caso Isabella, cujo julgamento começa amanhã. Nem podia ser de outra forma, pois não há testemunha presencial nem confissão no mais rumoroso crime da década, a morte da menina, atirada do 6º andar, em 29 de março de 2008, em São Paulo.

Cerca de 6 mil pessoas se inscreveram para uma das 57 vagas reservadas ao público na 2ª Vara do Júri de São Paulo, no Fórum de Santana, zona norte. Defesa e acusação concordam que a capacidade dos sete jurados de compreender laudos e exames sofisticados será decisiva para o veredicto do julgamento.

Termos como bluestar (luz que revela vestígios de sangue), perfil genético, reconstituição e asfixia mecânica povoam os 25 volumes do processo. "É difícil imaginar na crônica policial ou judiciária brasileira uma cena de crime mais estudada, mais periciada, mais devassada", disse o desembargador Luís Soares de Melo ao negar o último recurso da defesa para adiar o júri.

O Estado ouviu dois peritos do Instituto de Criminalística (IC) que trabalharam no caso. Dois anos após o crime, eles não têm dúvida: o casal matou a menina de 5 anos, filha de Alexandre e enteada de Anna Carolina. "É o que eu vou dizer ao júri: Alexandre Nardoni matou Isabella e não há terceira pessoa na cena do crime", afirmou a perita Márcia Boschi Casagrande, que trabalhou nas análises da cena do crime e é uma das 23 testemunhas do julgamento.

Também vai depor a perita Rosângela Monteiro. "Estou preparada para defender meu laudo como se defende um trabalho acadêmico. Desenvolvemos um trabalho e chegamos a uma conclusão técnica." Seu trabalho é peça fundamental da acusação para desfazer o álibi do casal e afirmar o envolvimento dos réus.

A defesa do casal não contestará fatos como as manchas de sangue no apartamento e a falta de sinais de arrombamento. Ela se concentrará nas interpretações desenvolvidas pelos peritos da Polícia Civil. "Talvez não possa demonstrar a inocência deles, embora acredite nela, mas não se pode, da mesma maneira, ter certeza da culpa do casal", afirmou o criminalista Roberto Podval, defensor dos Nardonis.

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