'Prova do Enade é genérica e falha', diz aluna

Estudantes reclamam ainda da falta de incentivo

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2013 | 02h04

O curso de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB) obteve nota 1 no Enade 2010 por causa do boicote de estudantes à prova. Para Cristiane Netto, de 24 anos, que fará o exame no dia 24, a nota baixa fez o curso perder visibilidade. A escala das notas vai de 1 a 5.

"O boicote não alcançou nada", diz a estudante, que considera o Enade uma prova "falha, genérica, que não avalia toda a extensão que o ensino deveria abarcar". Ela também critica a decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) de segurar por uma hora o concluinte na sala de aula durante a aplicação do exame.

"O MEC se especializa em combater as medidas de boicote ao Enade, em vez de se especializar em fortalecê-lo", diz. No site da UnB, a nota de Serviço Social "sumiu" de uma tabela que mostra os resultados.

Na UnB, as opiniões sobre o Enade se dividem. Para o aluno de Educação Física Rodrigo Menezes, de 26 anos, o bom resultado pode tornar o curso mais respeitado no meio acadêmico - a nota foi 4 em 2011. "A gente tem de valorizar o curso, em vez de depreciá-lo", diz.

Menezes reclama, no entanto, da falta de incentivo. Ele só soube da prova ao se deparar, por acaso, com um cartaz no corredor. "A falta de informação é total."

Burocracia. Para o estudante de doutorado em Eletrônica Heider Marconi, de 27 anos, que concluiu Engenharia em 2008, o Enade foi para "cumprir tabela". "Na época eu achei a prova bem descolada do curso na UnB. Eu sabia muita coisa que não foi avaliada e me exigiram muita coisa que não tinha visto. É impossível avaliar cinco anos de estudos em uma tarde", diz.

O designer Pedro Ernesto, de 25 anos, defende a prova. "É uma das poucas formas de o governo obter dados concretos sobre qualidade."

Procurada, a UnB não havia respondido ao Estado até ontem à tarde.

O Ministério da Educação (MEC) informou que o objetivo do Enade "é avaliar os cursos de forma a aferir a qualidade e verificar se estes estão em consonância com as diretrizes nacionais". Segundo o MEC, o governo está "em constante diálogo com a sociedade, no sentido de aperfeiçoar (o Enade)". / R.M.M.

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