Protestos marcam principal dia da Flip

Manifestantes bloquearam o cais e ocuparam as principais ruas da cidade; entre reivindicações, maior participação dos moradores no evento

MARIA FERNANDA RODRIGUES , ENVIADA ESPECIAL / PARATY, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2013 | 02h05

Um protesto sem incidentes ocupou ao longo da tarde de ontem as ruas de Paraty. Pela manhã, um grupo de cem pessoas, a maior parte barqueiros, já havia fechado o acesso ao cais da cidade, impedindo turistas de sair para passeios. Os manifestantes aproveitaram a atenção despertada pela programação da Festa Literária Internacional de Paraty, que tem no sábado seu dia mais movimentado, para expor uma longa lista de reivindicações; entre elas, reformas no cais, melhorias na educação, no sistema de transportes públicos - e uma maior participação da comunidade na programação da Flip.

O único momento de impasse durante os protestos ocorreu quando os manifestantes se dirigiram, no fim da tarde, à prefeitura, com o objetivo de entregar um manifesto ao prefeito Casé, que não quis descer do gabinete. Seguranças temiam que, se ele aparecesse, poderia ser alvo de pedradas. "Nós não vamos fazer isso", disse um dos manifestantes. O prefeito pediu que uma comissão entrasse no prédio, mas os manifestantes não aceitaram. "Somos um grupo e não queremos eleger um líder. Criticamos a política feita de portas fechadas e não vamos negociar assim", disse o produtor de eventos e comerciante Reinaldo de Azevedo. Os protestantes acabaram se dispersando.

Aos jornalistas, o prefeito explicou mais tarde sua posição. "Se eu fosse lá, poderia estragar uma coisa que começou bem e pelo visto está terminando bem", disse. "Esta foi uma manifestação como as que estão acontecendo no Brasil e que bom que ela foi ordeira. O Brasil está precisando mudar muitas coisas e Paraty não é uma cidade diferente." A segurança foi reforçada ao longo do dia. Segundo o tenente coronel Schalioni, comandante do 33.º batalhão, 50 policiais estavam na cidade - sem os protestos, seriam 12. A tropa de choque também foi chamada, mas os soldados só desceram do ônibus quando o grupo chegou à prefeitura - e logo foram embora, retribuindo os acenos dos manifestantes, que também já deixavam o local.

Entre as demandas da população, melhores condições nas áreas de saúde, educação, segurança e transporte. Além de pedidos específicos, como a participação na Flip, considerada pelos moradores um evento caro - cada ingresso custa R$ 46. O prefeito defendeu o evento, dizendo que, além da fazer ações nas escolas, a Flip tem uma mesa gratuita voltada para a discussão de assuntos relacionados à cidade e a políticas públicas.

A professora de literatura da rede estadual Lana Mara confirmou que os paratienses puderam comprar ingressos antes para o evento este ano, mas respeitando uma cota. "Cheguei cedo, fiquei duas horas na fila com a senha de número 53. Quando chamaram o 51 disseram que os ingressos tinham acabado. Venderam só 50?", comentou. "O turista que vem se alimenta de cultura o ano inteiro. Nós sentimos fome o ano inteiro."

A passeata parou em pontos como a rodoviária, o fórum, o posto de saúde, a Câmara dos Vereadores - onde foi feito um minuto de silêncio -, as ruas do Centro Histórico e chegou à ponte sobre o rio Perequê Açu, que dá acesso à tenda da Flip, que ficou bloqueada por cerca de 20 minutos.

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