Protesto termina em quebra-quebra

Dois mil moradores de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, exigiam melhorias no transporte: Câmara e prefeitura foram atacadas

, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Cerca de 2 mil moradores de Santo Antônio do Descoberto (GO), a 45 km de Brasília, fecharam a principal via de acesso da cidade às 5 horas de ontem para protestar contra o sistema de transporte, o elevado preço das tarifas, a falta de coleta seletiva de lixo, deficiências no abastecimento de água e outros problemas. Houve confronto com a polícia e a manifestação virou quebra-quebra.

Janelas da prefeitura foram depredadas e a Câmara Municipal também foi alvo de ataques. Com medo, comerciantes não abriram as lojas de manhã. Pneus, troncos e um ônibus foram queimados na Rodovia DF-280, que liga Brasília a Santo Antônio do Descoberto. Policiais atiraram bombas de gás lacrimogêneo e os manifestantes revidaram com pedras e garrafas. Um padre abriu as portas da igreja para abrigar os moradores e evitar o confronto com policiais. "Ninguém vai bater no meu povo", disse ele. No final, cinco pessoas ficaram feridas e quatro foram presas.

O autônomo Pedro do Nascimento considera a situação da cidade "lamentável", mas condena a baderna que se instalou ontem na região.

"O pessoal tá muito revoltado porque o prefeito não fez nada até hoje. Mas a população perde mais quando o ato vira vandalismo", avalia ele. "Parecia cenário de guerra, com muito corre-corre e tiros."

Embora concorde com os argumentos dos manifestantes, o técnico em contabilidade Antônio Eduardo Monteiro foi prejudicado pela revolta: não conseguiu pegar o ônibus para Taguatinga (DF), onde trabalha. "Quero ver o resultado disso tudo, porque o povo não vai esquecer", diz ele, que desembolsa R$ 135 mensais com as viagens.

"A cidade está abandonada. A tarifa de ônibus (R$ 3,20) é cara demais, não tem asfalto na maioria das ruas, onde tem asfalto tem buraco, o lixo se acumula. É como se não tivesse ninguém pra tomar conta daqui", reclama Monteiro.

No fim da tarde, a situação já controlada e poucas pessoas permaneciam na entrada da cidade de cerca de 63 mil habitantes. Alguns manifestantes prometeram voltar às ruas, caso o prefeito não atenda às reivindicações.

Prefeitura vazia. À noite, estava previsto um encontro entre o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o prefeito de Santo Antônio, Davi Leite (PR), que não foi visto na cidade durante os protestos. Até o fechamento desta edição, Davi Leite não havia retornado as ligações do Estado.

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