Protesto do MPL acaba em tumulto no Recife

Manifestantes e policiais entraram em confronto; grupo quer CPI dos Transportes

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2013 | 02h03

Um protesto do Movimento Passe Livre (MPL), no centro do Recife, terminou em confronto entre manifestantes e policiais militares na tarde de ontem e levou lojas e universidades da área a fechar as portas. O Cinema São Luiz, patrimônio da cidade, construído há 70 anos, teve vidros e fachada depredados.

Um ônibus foi incendiado, outros dois, depredados, e lixeiras e pneus foram queimados para bloquear o trânsito. A Câmara Municipal foi pichada e uma estação de aluguel de bicicletas, destruída.

O protesto começou de forma pacífica, com cerca de 150 pessoas - parte delas mascaradas -, no Parque 13 de Maio. Os manifestantes reivindicavam a implementação do passe livre e a instalação de uma CPI sobre Transporte Público. Com temor de quebra-quebra, a Câmara fechou as portas. Não houve prisões.

PMs entraram em confronto com os ativistas logo no início do ato. De acordo com a polícia, só houve reação - com balas de borracha - porque os manifestantes atiraram pedras, paus e coquetéis molotov. O MPL afirma que a ação da polícia provocou a confusão.

De acordo com a PM, dois batalhões de área, o Batalhão de Choque e a Companhia de Policiamento com Motos (Rocam), foram acionados. A situação só voltou à normalidade às 19h.

Acampamento. A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco publicou uma nota na qual acusa o vereador Vicente André Gomes, presidente da Câmara, de "golpe". De acordo com o grupo, ele descumpriu acordo assumido no dia 8, durante uma audiência pública sobre transportes. Estudantes ocuparam a Câmara naquele dia e só saíram após Gomes prometer analisar o pedido de CPI dos Transportes.

A assessoria de Gomes informou que, no dia 9, um outro vereador protocolou um pedido de CPI sozinho. O presidente da Casa pediu parecer da Procuradoria que informou ser vetada comissão com uma só assinatura. Por isso, ele acatou a recomendação jurídica de não instalá-la. O grupo, no entanto, diz que houve rompimento do acordo e promete acampar na porta da casa dos vereadores.

No Rio. Os sete manifestantes que permaneciam na Câmara Municipal do Rio após 12 dias de ocupação deixaram pacificamente o prédio ontem às 14h15. Hoje, os vereadores devem dar início, às 10h, à primeira audiência pública da CPI dos Ônibus, cuja composição gerou os protestos e a ocupação. O desembargador Fernando Fernandes, da 13.ª Câmara Cível, havia determinado a reintegração de posse anteontem.

Após a chegada de três oficiais de Justiça, o grupo deixou o prédio usando mordaças e seguiu em manifestação no centro. PMs acompanharam de longe o protesto.

Ao grupo se juntaram guardas municipais que reivindicam aumento salarial e cerca de 300 professores que estavam na Assembleia Legislativa. Todos se dirigiram à Cinelândia. Houve princípio de confusão quando integrantes do Black Bloc tentaram seguir os professores. Eles foram rechaçados. Chamada de pelega, uma professora reagiu, aos gritos: "Sou professora e mostro a minha cara". Os black blocs se integraram ao grupo e ajudaram a carregar uma faixa que pedia "Democracia nas Escolas Já". / COLABOROU CLARICE CUDISCHEVITCH

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