Protesto deixa rastro de destruição no centro de São Paulo

Pequeno grupo causou estragos na região ao fim do sexto ato contra aumento das tarifas

ampliada às 11h13, Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

19 Junho 2013 | 08h42

Lixo espalhado pelas ruas, estilhaços de vidros e prédios danificados em vários pontos do centro de São Paulo dão a dimensão dos estragos provocados na região ao fim do sexto dia de manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público, na noite dessa terça-feira, 18. Após início pacífico do ato, um pequeno grupo atacou a sede da Prefeitura e as lojas da Rua Direita. Na manhã desta quarta-feira, 19, lojistas e garis dividiram a tarefa de limpar os vestígios dos atos de vandalismo.

A maioria das grades de ferro usadas pela Guarda Civil para conter os manifestantes foi arremessada para debaixo do viaduto. Já o posto policial em frente ao prédio e as lixeiras foram queimados. Desde o inicio da manhã, funcionários isolaram a área, recolhem os destroços e limpam as pichações. A entrada de servidores será normal. Mesmo quem acompanhou pela TV ficou impressionado com o resultado. "Não imaginei que estaria essa bagunça. Exageraram, deveria ser pacífico", reclama Luiz Carlos Casolatto, de 56 anos, porteiro em um prédio da região. As paredes do prédio histórico do Teatro Municipal também foram pichadas.

No entorno da Prefeitura, diversos estabelecimentos comerciais foram arrombados e saqueados. Duas agências bancárias ficaram bastante danificadas. "Sou a favor dos protestos, mas muitos se apropriam do movimento para praticar vandalismo", afirma André Yashiro, de 37 anos, coordenador de uma loja de presentes, que teve a porta e o estoque destruído. Segundo ele, que ainda não estimou o prejuízo, a polícia orientou os comerciantes que só fossem para o local de manhã para evitar conflitos com vândalos.

A loja de roupas onde trabalha o supervisor de segurança Leonardo rios, 30, teve as portas de aço pichadas. "Sorte que não conseguiram arrombar", afirma o funcionário. Ele teme que os protestos violentos não parem mesmo que o prefeito Fernando Haddad diminua o valor da passagem. "A insatisfação esta muito grande." O vigilante Márcio Nunes, de 33 anos, diz que entende a postura mais violenta. "É culpa dos governantes que fazem absurdos com a sociedade".

A maioria dos lojistas ainda não fez os cálculos dos prejuízos e chamou a perícia para acionar seguradoras. Além de saques e arrombamentos, outra preocupação dos comerciantes é com a queda nas vendas por causa do expediente reduzido nos dias de manifestações. 

Susto em prédio ocupado. Moradores de um prédio na rua Líbero Badaró, em frente à Prefeitura, acompanharam apreensivos os atos de vandalismo dessa terça-feira. Karina Queiroz, moradora do imóvel há oito meses, conta que eles precisaram sair quando um grupo ateou fogo na agência bancária ao lado. "Ficamos preocupados com a fumaça", diz ela, que vive em condições precárias com a irmã diabética e cinco filhos. Durante a depredação da Prefeitura e das lojas, a irmã de Karina sentiu-se mal e não pode sair para buscar ajuda. "Um dos meninos, que mora aqui no prédio e não tem nada a ver com esse vandalismo, foi preso na noite passada", afirma.

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