Protesto de sem-teto fecha avenida em Campinas por uma hora

Grupo protestava contra notificação de desocupação de área onde vivem cerca de 300 famílias; pedreiro sofreu enfarte e morreu após receber ordem de despejo

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2013 | 10h41

CAMPINAS - Um grupo de cerca de 50 sem-teto fechou na manhã desta quarta-feira, 23, a Avenida John Boyd Dunlop, uma das principais vias de acesso a Campinas, interior de São Paulo. A manifestação começou às 7h30, durou uma hora e parou a avenida, em um trecho de pelo menos quatro quilômetros, e gerou congestionamento de dois quilômetros na via marginal da rodovia Anhanguera.

Os sem-teto protestaram contra a notificação de desocupação da área onde cerca de 300 famílias vivem ilegalmente, no bairro Cidade Jardim. Nessa terça-feira, 22, poucas horas depois de receberem a notificação de despejo, um dos moradores morreu. O pedreiro Manoel Braga dos Santos, de 48 anos, morava na área de ocupação e sofreu um enfarte três horas depois de receber a ordem de desocupação. O terreno foi invadido pelos sem-teto em novembro do ano passado.

"Ontem (terça) aconteceu uma tragédia com a morte de um morador quando o oficial de Justiça chegou para falar que ele teria que sair da moradia. Somos contra o despejo e queremos um diálogo com as autoridades", afirmou um dos líderes do movimento, Francisco Galvão. Com um caixão de papelão, eles lembraram a morte do pedreiro.

A área invadida fica às margens do traçado do extinto Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e pertence à União. A prefeitura informou que negocia com os moradores desde a ocupação, mas não houve acordo para saída do terreno. A desocupação foi determinada pela 2ª Vara da Fazenda Pública e deve ocorrer em 30 dias.

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