Paloma Cotes
Paloma Cotes

Após protesto de motoristas fechar terminais, ônibus voltam a circular em São Paulo

Manifestação da categoria ao longo desta quinta travou centro da cidade e dificultou acesso ao serviço em diversos pontos da cidade. Após definição de greve nesta sexta, veículos retomaram a circulação

Gilberto Amendola e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 14h52
Atualizado 05 de setembro de 2019 | 18h26

SÃO PAULO - Motoristas de ônibus fizeram protesto nesta quinta-feira, 5, na região central de São Paulo. O grupo esteve concentrado em frente à sede da Prefeitura, no Viaduto do Chá, e 17 terminais chegaram a ser fechados por causa da mobilização. O ato afetou o trânsito em algumas regiões da cidade e também levou ao bloqueio de algumas estações de Metrô, como na Barra Funda e em Santana, anexas às estações de ônibus. Após a aprovação da greve para esta sexta, a circulação começou a ser normalizada na noite desta quinta. 

"A determinação é de que parem 100% dos terminais. Já estamos com 17 terminais parados em todas as regiões da cidades e são 22 ao todo. Já tem mais de 60 dias que enviamos a pauta com nossas reivindicações e não teve manifestação do poder público. Somos contra a redução de 1.500 veículos da frota, que vai deixar 8 mil pais de família desempregados, e a demissão dos cobradores", disse à tarde Valmir Santana da Paz, presidente interino do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo.

O objetivo da manifestação, segundo os motoristas, é protestar contra o que chamam de "desmonte" do setor, com uma suposta redução de frota, além de cobrar o pagamento relativo à participação nos lucros e resultados (PLR) por parte das empresas. De acordo com a entidade sindical, havia transferência desse dinheiro prevista para esta quinta, o que não teria ocorrido.

A mobilização desta quinta teve início de manhã, quando a categoria fez uma caminhada da sede do sindicato, na região central, até o prédio da Prefeitura. A partir do meio-dia, motoristas, cobradores e profissionais da manutenção iniciaram a paralisação. Inicialmente, os veículos foram estacionados no entorno da Prefeitura - havia cerca de 20 veículos por volta das 16 horas -, mas outros ônibus foram parados em outras partes da região central da cidade.

Líderes do sindicato se reuniram com representantes da Secretaria Municipal de Transportes para discutir a pauta de reivindicações. Uma assembleia foi ealizada após esse encontro e definiu a paralisação da categoria para esta sexta.

A São Paulo Transporte (SPTrans), órgão ligado à gestão municipal, informou que a mobilização prejudicou a operação nos seguintes terminais:

  • Água Espraiada
  • A.E. Carvalho
  • Bandeira
  • Campo Limpo
  • Capelinha
  • Jardim Ângela
  • Lapa
  • Mercado
  • Parque D. Pedro II
  • Princesa Isabel
  • Pinheiros
  • Sacomã
  • São Miguel
  • Santana
  • Santo Amaro
  • Sapopemba
  • Varginha
  • Vila Carrão

"A equipe de fiscalização da SPTrans orienta os passageiros nos terminais e permanece monitorando a operação das linhas a fim de auxiliar a população", disse o órgão à tarde.  

"Entendo o direito deles. Mas a população não pode ser prejudicada. Eu mesmo não sei como ou que horas vou conseguir chegar em casa”, disse a atendente de loja Fabrícia Souza, 27 anos, que estava em área perto da Prefeitura na tarde desta quinta. 

No Terminal Santana, um dos mais movimentados da zona norte da capital paulista, por volta das 15h15, apenas micro-ônibus, operados por cooperativas, chegavam e saíam do local. Os veículos maiores, da viação Sambaíba, ficaram estacionados no terminal e em ruas do entorno. O clima era tranquilo, já que a paralisação ocorre em um horário de menos movimento.

Ainda segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), havia 47 quilômetros de congestionamento na capital por volta das 15 horas.  A região oeste de São Paulo é a mais afetada, com 22 quilômetros de filas. 

Nas redes sociais, passageiros se manifestam sobre a paralisação.

O Metrô também informa que terminais de ônibus anexos às estações metroviárias também foram fechados. Apesar disso, o metrô está funcionando normalmente.

Impasse judicial

Há duas semanas, o órgão especial do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a decisão que considerou ilegal o prazo de 20 anos para os contratos da Prefeitura com empresas de ônibus na cidade. A decisão havia sido tomada em maio pelos desembargadores e foi confirmada no dia 21 de agosto, quando os embargos de declaração foram rejeitados. A Prefeitura recorre da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o entendimento poderá inviabilizar a concretização da licitação do setor, que teria de ser refeita.

Tudo o que sabemos sobre:
ônibus

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.