Protesto de camelô fecha lojas no Brás

Revoltados contra a fiscalização na Feira da Madrugada, ambulantes fizeram passeata, quebraram fachadas e interditaram ruas

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2011 | 03h02

Cerca de 300 camelôs incendiaram dois carros, espalharam sacos de lixo, quebraram fachadas de lojas e interditaram a Avenida do Estado, além de ruas no Brás, no centro de São Paulo, durante a madrugada e a manhã de ontem. Lojas em dez ruas da área fecharam. Os ambulantes protestavam contra a Operação Delegada - fiscalização feita por policiais militares contratados pela Prefeitura para trabalhar em horário de folga.

Os ambulantes carregaram, em passeata pela Rua Oriente, uma faixa com os dizeres: "Camelô não é caso de polícia". O protesto terminou com violência e foi reprimido com bombas e balas de borracha disparadas pela Tropa de Choque da Polícia Militar. O confronto começou quando a PM impediu que cerca de 7 mil camelôs montassem barracas em dez ruas do bairro, durante a Feira da Madrugada.

"Estávamos apenas protestando pacificamente pelo nosso direito de voltar a trabalhar, quando eles começaram a disparar contra a gente", defendeu-se o camelô Sivaldo Josias da Silva, de 35 anos, que levou um tiro de bala de borracha no pescoço.

O comércio ficou fechado durante a manhã. Um estacionamento da Rua João Teodoro teve dez portas de vidro quebradas. "Desceram de lá para cá quebrando tudo. O prejuízo para trocar essa portas, mais o portão de aço, será de R$ 15 mil. É muito vandalismo", reclamou o gerente do estacionamento, Vítor Francisco Silva, de 64 anos.

Apesar do protesto, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse que manterá o patrulhamento da Feira da Madrugada. Ele afirmou que há semanas a Prefeitura vem alertando que comerciantes estavam trabalhando no local de forma irregular.

Com o impasse, novos protestos foram marcados para a madrugada de hoje. "A Prefeitura não deu uma resposta; enquanto isso, vamos continuar nosso protesto", disse Leandro Dantas, presidente de um dos sindicatos que organizam ambulantes na região, após se reunir com o subprefeito da Mooca.

Fiscalização. A Operação Delegada chegou em maio à região do Brás e à vizinha Feirinha da Madrugada, no Pátio do Pari. A proposta de Kassab era reprimir a extorsão de dinheiro e a cobrança de propina na feira, além da venda de produtos pirateados ou roubados.

Em agosto, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana lacrou a feira por três semanas. Agentes da Guarda Civil Metropolitana e das Polícias Civil, Militar e Federal vasculharam os boxes e apreenderam mais de 1 milhão de produtos considerados ilegais. A Prefeitura cassou o alvará de funcionamento de lojistas em situação irregular - como os estrangeiros. Eram mais de 4 mil. Agora, são 2 mil.

A ação já rendeu pelo menos três protestos semelhantes ao de ontem. Em um deles, cerca de 50 vendedores bloquearam a Avenida do Estado e depois se deslocaram até a Luz para cercar o prefeito, que cumpria agenda na região da cracolândia. Ele foi cobrado com truculência.

Segundo líderes sindicais dos ambulantes, vendedores que trabalhavam sem registro em boxes no Pátio de Pari e tiveram a licença cassada agora montam barracas nas calçadas. / FABIANO NUNES, FELIPE FRAZÃO e MARCIO PINHO

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